• |
  • Iphone
  • |
  • Mobile
  • |
  • RSS
  • |
  • Twitter
  • |
  • Facebook
  • Siga-nos em:
  • Milionários no mundo em 2010 - Quantos são e quanto valem
  • Siga-nos no Twitter
  • Ganhe um dos 5 convites duplos para a antestreia de "Como Treinares o Teu Dragão"

Loures

Quinta da Fonte: Famílias ciganas insistem que não há segurança para regressarem ao bairro

20.07.2008 - 11:12 Por Lusa

Pela terceira noite consecutiva, 53 famílias ciganas da Quinta da Fonte pernoitaram junto à Câmara Municipal de Loures e recusam sair por entenderem que não há condições de segurança para voltarem a habitar naquele bairro.
Até não serem encontradas outras alternativas as famílias ciganas prometem não desmobilizar de frente da Câmara Municipal, onde se encontram há três dias Até não serem encontradas outras alternativas as famílias ciganas prometem não desmobilizar de frente da Câmara Municipal, onde se encontram há três dias (Nelson Garrido/PÚBLICO)

"Para o bairro nunca mais", afirmaram de forma peremptória à Lusa membros da comunidade cigana da Quinta da Fonte, concentrados em frente à Câmara Municipal desde quinta-feira, após terem abandonado um pavilhão em São João da Talha, onde estiveram instalados durante três dias, durante os quais foram assistidos pela Cruz Vermelha.

Munidos de colchões e cobertores doados por aquela instituição, decidiram "acampar" no jardim municipal, para protestar contra a decisão da autarquia de Loures em realojar as famílias - que viram as suas casas destruídas na sequência de confrontos e tiroteio com elementos da comunidade africana - em tendas cedidas pelo Exército no mesmo bairro, de onde dizem que "foram escorraçados".

"Se há o inferno, ele está ali", afirma de forma convicta Joaquim Cabral, morador há onze anos na Quinta da Fonte.

"Há dois anos entraram na minha casa e agrediram-me na cabeça e no estômago. Quase me mataram ali", contou, ao mesmo tempo que mostrou uma notificação da polícia de Sacavém para confirmar aquilo que diz.

"Já desde essa altura que tenho escrito pedidos de transferência e até agora todos eles foram indeferidos", lamentou, acrescentando que desde então tem vivido em casa de familiares fora da Quinta da Fonte.

A este relato juntam-se outros de quem diz que "voltar está fora de questão, pois a única alternativa é matar ou morrer".

"O mais provável é sair dali morto, pois a reconciliação é impossível", garante Miguel Correia, que assegura que esse sentimento é partilhado por toda a comunidade cigana.

"A Quinta da Fonte é um verdadeiro gueto e nós (comunidade cigana) sentimos que não pertencemos ali", salienta, ao mesmo tempo que contou à Lusa outras histórias de vizinhos e amigos que foram assaltados e agredidos no bairro.

"Eu sinto que os onze anos que ali vivi foram tempo perdido da minha vida", confessou Miguel Correia, que lamentou a falta de oportunidades para estudar e tirar um curso.

"Adorava tirar um curso de Direito ou Psicologia", conta.

Confrontado com as garantias dadas na sexta-feira pela governadora civil de Lisboa, Dalila Araújo, de que as famílias poderiam voltar ao bairro pois teriam todas as condições de segurança, Joaquim Cabral respondeu que "se a governadora civil experimentasse viver no bairro durante uma semana iria mudar de opinião".

Até não serem encontradas outras alternativas as famílias ciganas prometem não desmobilizar de frente da Câmara Municipal, onde se encontram há três dias.

Algumas famílias têm recebido apoio de comerciantes locais, que têm oferecido pacotes de leite e sandes às crianças.

No passado dia 11 à tarde, meia centena de indivíduos de dois grupos da Quinta da Fonte envolveram-se em confrontos com utilização de armas de fogo, segundo a PSP, que indicou ter detido dois indivíduos e apreendido algumas armas de fogo e munições de calibre variado.

No dia anterior, uma rixa entre dois grupos de do mesmo bairro tinha provocado nove feridos ligeiros e danos em várias viaturas.

O bairro da Quinta da Fonte, na freguesia da Apelação, concelho de Loures, foi edificado para acolher desalojados pela construção dos acessos viários à Expo 98 e tem actualmente 2500 habitantes de várias etnias.

  • 75 leitores
  • 28 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1336009

Comentário + votado

MUDANÇA

Lembram-se do que se passou há anos em Ponte de Lima? Siga-se o método.

J. Viana

20.07.2008 18:04

Login