O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, garantiu ontem que a associação ambientalista não pretende inviabilizar o novo estádio do Vitória de Setúbal, mas apenas impedir a construção de um centro comercial e de 7000 fogos numa zona de montado.
“O motivo que nos levou a apresentar uma providência cautelar sobre o Plano de Pormenor do Vale da Rosa foi o facto de estar prevista a construção do centro comercial e de milhares de fogos, para cerca de 30 mil pessoas, numa zona de montado”, disse à Lusa Francisco Ferreira, lembrando que a viabilidade do empreendimento, que inclui também a construção de um estádio de futebol, depende do abate de cerca de 1200 sobreiros.
As declarações de Francisco Ferreira foram proferidas na sequência das acusações ontem dirigidas à Quercus, de alegado “fundamentalismo ambiental”, pelo presidente do Vitória de Setúbal, Luís Lourenço, na sequência do alerta do Presidente da República para a necessidade de se conciliar a preservação e conservação da natureza com a melhoria das condições de vida da população e a criação de empregos.
Os dirigentes do Vitória de Setúbal têm acusado repetidamente a associação ambientalista de prejudicar o clube sadino devido à providência cautelar que poderá travar o empreendimento urbanístico do Vale da Rosa e a construção do novo estádio municipal.
Projecto “possível” sem destruir sobreiros
Questionado pela Lusa, o vice-presidente da Quercus escusou-se a responder de forma directa às críticas do presidente do Vitória de Setúbal, limitando-se a referir que a posição da associação ambientalista é conhecida desde o início do processo do Vale da Rosa.
“A Câmara Municipal, entidade responsável pela elaboração do Plano de Pormenor, está a par da nossa posição desde o início do processo, mas nunca se disponibilizou para alterar o Plano de Pormenor”, disse Francisco Ferreira.
“Era perfeitamente possível fazer os prédios e o centro comercial sem destruir os cerca de 1200 sobreiros do Vale da Rosa”, disse o vice-presidente da Quercus, declinando qualquer responsabilidade por eventuais atrasos na construção do novo estádio municipal, que a autarquia se comprometeu ceder ao Vitória de Setúbal.
Francisco Ferreira frisou ainda que a Quercus nem sequer questiona a zona escolhida para a construção do futuro estádio municipal, mas sim a implantação do centro comercial e da zona habitacional.


