A associação ambientalista Quercus manifestou-se hoje contra a possível instalação da nova fábrica do grupo sueco Ikea numa zona de reserva ecológica no concelho de Paços de Ferreira, mas a empresa assegura que ainda não foi tomada qualquer decisão.
A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza reagiu hoje, em comunicado, a "recentes notícias" que "apontam a pretensão de localização pelo promotor numa zona florestal condicionada no concelho de Paços de Ferreira".
A associação considera "estranho" o parecer favorável para a suspensão parcial do Plano Director Municipal de Paços de Ferreira dado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), sublinhando que a zona pretendida se localiza numa "extensa zona florestal de pinhal, eucaliptal e povoamento de sobreiros".
A zona, sublinha, situa-se "nas cabeceiras das linhas de água da Serra da Agrela, apresentando encostas com declives superiores a 40 por cento, razão pela qual está integrada na Reserva Ecológica Nacional (REN)".
"O Governo está a promover a classificação deste empreendimento industrial como Projecto de Interesse Nacional (PIN), no entanto, alertamos para o facto de não existir qualquer interesse nacional na destruição dos espaços florestais portugueses, quando existem alternativas de localização em zonas industriais", afirma a Quercus.
Grupo sueco diz que empresa ainda está a ultimar uma decisão
Contudo, fonte das relações públicas do grupo sueco hoje contactada pela agência Lusa assegurou que a empresa está ainda a ultimar uma decisão, que, tal como anteriormente referido, será anunciada até 31 de Outubro.
"O teor do comunicado [da Quercus] está a ser tratado internamente", disse a fonte, sublinhando que "o que tem sido dito e escrito pode não corresponder à verdade".
Há cerca de um mês, o grupo sueco Ikea admitiu que o critério ambiental poderá ser "decisivo" na escolha entre Paços de Ferreira, Paredes e Estarreja para instalação da nova fábrica em Portugal.
"Para quem conhece o Ikea, sabe que a parte ambiental é muito importante e nós temos uma grande responsabilidade. Portanto esse é um grande critério e que pode ser decisivo na decisão", frisou o responsável pela Ikea Portugal. António Machado afirmou que para todos os projectos do grupo Ikea é realizado um estudo de impacto ambiental, cujos resultados "evidentemente serão tomados em conta antes do anúncio da decisão final, agendada até final de Outubro".
Em meados de Setembro, o presidente da Câmara Municipal de Paredes declarou-se "indignado" com o parecer da CCDR-N, entidade que, frisou, ajudou a criar o parque empresarial do concelho, criado para acolher empresas "como a Ikea que viessem para a região". "Agora colocam a fábrica no meio do monte", disse Celso Ferreira, na altura, admitindo pedir uma "audiência urgente" à administração do Ikea caso avance a intenção de localização em Paços de Ferreira, tendo em conta as preocupações ambientais sempre referidas pelo grupo nos diversos contactos mantidos.
Paços de Ferreira, Paredes e Estarreja são os três municípios finalistas no processo de candidatura para a instalação em Portugal de uma fábrica do grupo sueco de mobiliário, que se prevê venha a criar 225 empregos directos e ocupar uma área de 250 mil metros quadrados.


