A Quercus alertou ontem para a falta de controlo da qualidade do ar no Algarve, desde meados de 2008. A situação foi confirmada pelas autoridades regionais do Ambiente, que alegam "constrangimentos técnico-financeiros" que inviabilizam o funcionamento das estações de monitorização.
Os ambientalistas afirmam que a ausência da monitorização da qualidade do ar na região algarvia "não permite saber, desde há vários meses, de que forma é que os níveis de poluição afectam e têm afectado os residentes e turistas".
Fonte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, confirmou que a qualidade do ar "não está a ser monitorizada desde 2008, porque as sete estações existentes na região estão desactivadas".
"A rede está em fase de reestruturação e existem constrangimentos técnico-financeiros que têm impedido a sua concretização e o normal funcionamento das estações", alegou.
A Rede de Monitorização da qualidade do ar é gerida pela CCDR e abrange os concelhos de Faro, Olhão, Albufeira, Loulé, Lagoa, Portimão e Alcoutim.
Cada estação de monitorização da qualidade do ar possui analisadores automáticos que monitorizam, em contínuo e em tempo real, o dióxido de enxofre, óxidos de azoto, ozono e partículas (PM 2,5 e PM 10).
Os dados recolhidos são depois disponibilizados numa base de dados online (www.qualgar.org), gerida pela Agência Portuguesa do Ambiente.
Segundo a Quercus, os últimos dados disponíveis sobre a qualidade do ar no Algarve são referentes ao ano de 2007 e revelam que foram registados 217 dias do ano em que os níveis de poluição por partículas inaláveis foram superiores aos permitidos pela legislação (média diária a partir de 50 ug/m3).
Acrescenta a associação ambientalista que os casos mais graves foram registados na estação David Neto (Estrada de Alvor, em Portimão), com 113 dias de excedências, e na estação Município (Avenida do Município, em Albufeira), com 48 dias de excedências, quando a legislação só admite 35 dias por ano.
A Quercus considera "urgente que os constrangimentos sejam ultrapassados", para que voltem a ser disponibilizados os dados sobre a qualidade do ar que se respira no Algarve.
Fonte da CCDR do Algarve garantiu que "a reestruturação da rede deverá ficar concluída até ao Verão".


