Uma oficial de justiça, escoltada pela polícia, entrou hoje nas instalações da empresa de construção MB Pereira da Costa, na Amadora, um dia depois de se terem registado problemas entre os trabalhadores e a PSP.
Os trabalhadores da Pereira da Costa que estão em vigília em frente à empresa receberam pacificamente a funcionária do tribunal, bem como os trabalhadores que actualmente laboram na empresa.
Ao final da tarde de ontem, de acordo com o relato da agência Lusa, a oficial de justiça foi cercada pelos trabalhadores quando se preparava para dar uma entrevista a um canal de televisão. Os trabalhadores terão reagido com exaltação e a PSP interveio.
Os trabalhadores da MB Pereira da Costa acusaram a funcionária do tribunal de "permitir a saída dos bens para a empresa que o dono tem na Ramada, em Odivelas".
O sindicato queixou-se de uma carga policial e garantiu que a PSP deteve o dirigente sindical Pedro Miguel, mas a polícia afirmou hoje que apenas o identificou e negou que tenha exisitido uma carga policial contra os trabalhadores.
O dirigente sindical João Serpa adiantou ontem que a oficial de justiça foi fazer um inventário à empresa e ao mesmo tempo permitiu a saída de alguns bens.
Hoje, a funcionária do tribunal voltou à empresa para continuar o inventário dos bens.
Segundo o sindicalista João Serpa, ontem de manhã saíram diversas viaturas com bens da empresa e mais dois camiões com cabos de aço e de cobre para um terreno que o proprietário da empresa MB Pereira da Costa tem na Ramada, no concelho de Odivelas.
Esta situação, referiu o dirigente sindical, deveu-se "a uma providência cautelar que o dono da empresa interpôs no tribunal porque alegava que os trabalhadores o impediam de entrar na empresa".
A empresa do sector da construção civil despediu 83 dos 220 trabalhadores, que entretanto recorreram da decisão para tribunal, interpondo uma providência cautelar.
O tribunal decidiu a favor da reintegração de 45 dos trabalhadores despedidos, que agora exigem voltar à empresa e o pagamento de salários em atraso, nomeadamente o mês de Outubro.
A empresa Pereira da Costa faliu em Agosto de 2005 num processo que começou dois anos antes, tendo sido adquirida por Luís Moreira.


