A Comissão Política do PSD/Oeiras estranha que as buscas da Polícia Judiciária à casa e aos escritórios de Isaltino de Morais tenham ocorrido dois dias antes de um jantar de apoio à sua candidatura autárquica.
O ex-presidente da Câmara de Oeiras e ex-ministro do Ambiente foi ontem alvo de buscas pelo magistrado titular do inquérito pendente no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).
O objectivo das buscas foi a recolha de documentação para os autos abertos em Abril de 2003, na sequência da divulgação da existência de contas bancárias do ex-autarca na Suíça.
O presidente da Comissão Política do PSD Oeiras, Paulo Vistas, disse à Lusa "estranhar as buscas a dois dias da realização de um mega-jantar de apoio à candidatura de Isaltino Morais à câmara de Oeiras" e quando o processo se arrasta há cerca de dois anos.
De acordo com Paulo Vistas, as buscas e a sua divulgação causam, do ponto de vista político, alguma "mossa", mesmo que não existam para já "factos concretos que possam pôr em causa a candidatura" do ex-autarca.
Paulo Vistas espera que a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Judiciária concluam rapidamente "se há indícios ou não" para incriminar o antigo ministro.
"A dúvida é terrível", acrescentou o presidente da Comissão Política do PSD/Oeiras.
A mesma fonte referiu também que Isaltino Morais deverá comentar hoje publicamente a situação causada pelas buscas realizadas ontem.
Ainda segundo a imprensa de hoje, a diligência de ontem, que consistiu em 15 buscas à residência e escritórios do ex-ministro, foi presidida por um juiz e contou com o apoio da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira da Polícia Judiciária.
Isaltino de Morais demitiu-se do Governo presidido por Durão Barroso em Abril de 2003, na sequência da divulgação da existência de contas bancárias na Suíça, que não terão sido declaradas ao fisco e ao Tribunal Constitucional.


