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Ambiente

Providência cautelar suspende obras de expansão de zona industrial em Anadia

23.10.2009 - 15:14 Por Lusa

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A Quercus denuncia que A Câmara de Anadia não chegou a fazer o Plano de Pormenor A Quercus denuncia que A Câmara de Anadia não chegou a fazer o Plano de Pormenor  (PÚBLICO (arquivo))
As obras de expansão da Zona Industrial (ZI) de Amoreira da Gândara, em Anadia, estão suspensas ao abrigo de uma providência cautelar aceite esta semana pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro, informou hoje a Quercus.

A providência foi interposta no início deste mês pela Quercus e pela Aquaecuriva - Associação para a Defesa do Património ambiental e cultural da Bairrada e incide no facto da Câmara de Anadia, alegadamente, “violar de forma grave e continuada” o Plano Director Municipal.

Em causa está a expansão da ZI de Amoreira da Gândara de 8,4 para 42,7 hectares, o que vai implicar a desafectação de terrenos actualmente incluídos na Reserva Ecológica Nacional, onde existem cerca de 600 sobreiros.

Após a análise dos argumentos das partes, o Tribunal determinou a suspensão imediata de todos e quaisquer trabalhos, seja de arranque de sobreiros ou outras árvores, desmatação, movimentação de terras, escavação, depósito de entulhos e arruamentos, na zona da Reserva Ecológica Nacional.

Domingos Patacho, da Quercus, sublinha que a Câmara liderada por Litério Marques (PSD), não fez um Plano de Pormenor para aquela zona tal como a Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional tinha determinado.

“A Câmara de Anadia não chegou a fazer o Plano de Pormenor e não podia avançar com algumas obras, que já ocorreram no terreno, de escavação e desmatação”, acusou o ambientalista.

Por outro lado, a Quercus refere que a ocupação por parte de indústrias na actual zona industrial, está a ser feita sem que o município tenha executado as infra-estruturas adequadas, exigidas por lei, nomeadamente obras de saneamento de águas residuais e sua condução para uma ETAR (estação de tratamento de águas residuais).

O dirigente da Quercus observou ainda que, pela forma como tem actuado, o município de Anadia parece “um verdadeiro promotor e investidor imobiliário”, função que legalmente não pode exercer.

Referindo-se à suspensão imediata de todos e quaisquer trabalhos, por ordem judicial, Domingos Patacho diz que esta decisão é “claramente favorável” ao ordenamento do território e ao ambiente, sustentando: “normalmente, os tribunais salvaguardam-se muito e quando chega à acção principal os recursos naturais e os bens já foram destruidos”.

A Lusa contactou o presidente da Câmara de Anadia que se escusou a comentar esta decisão.


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