Protesto: Pescadores de Sesimbra iniciam marcha lenta contra plano para Arrábida

05.06.2005 - 09:16 Por PUBLICO.PT
Os pescadores de Sesimbra estão a reunir-se esta manhã na rotunda de Santana, perto da localidade costeira, para inciarem uma marcha lenta de protesto contra a aprovação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, ao qual se opõem, que hoje deve ocorrer em conselho de ministros, em Sagres.
Dionísio Machado, da Associação de Armadores do Centro-Sul, disse esta manhã à TSF que após o protesto de ontem, em que cerca de duas dezenas de embarcações de pequena e média dimensão foram colocadas na entrada da zona portuária, dificultando a passagem de barcos, os pescadores reuniram com o presidente da Câmara de Sesimbra e com o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, para discutir o plano de ordenamento. O presidente da Câmara de Sesimbra, o socialista Amadeu Penim, solidarizou-se com os pescadores locais, apelando mesmo ao primeiro-ministro que deixe cair o plano de ordenamento do Parque Natural da Arrábida.
Esta manhã, em declarações à TSF, Dionísio Machado explicou que do encontro com o secretário de Estado de José Sócrates concluiu que os membros do Governo "não sabem o que vão aprovar".
O representante dos pescadores pediu ao primeiro-ministro "que pelo menos prometa uma coisa: não diminua o emprego que há e mantenha os que são fixos". Dionísio Machado disse à TSF que os pescadores não querem saber de subsídios e compensações que lhes caibam face à limitação da sua actividade e que apenas querem prosseguir com o seu trabalho. "A nossa vila daquia a três anos vai ficar parada", avisou.
"Por amor a Sesimbra, que respeitem os nossos valores, que respeitem a pesca", pediu o representante dos pescadores da região.
O plano de ordenamento prevê limitações à faina. Segundo o secretário de Estado disse ontem ao PÚBLICO, o que está em causa é uma linha de costa com 28 quilómetros de extensão. Destes, em metade não haverá nenhuma limitação à pesca comercial .
Nos restantes 14 quilómetros, em apenas dois haverá uma limitação total de pesca, que só entrará em vigor dentro de dois anos. O secretário de Estado acrescentou ainda que os restantes 12 quilómetros - onde se inclui, por exemplo, a zona do Portinho da Arrábida - serão sujeitos a limitações parciais às artes usadas na faina.

