Um responsável da protecção civil defende a criação de abrigos para tsunamis em Portugal. Locais seguros, sinalizados e avisos sonoros poderiam salvar muita gente no caso de uma onda gigante ocorrer.
Carlos Palhares, responsável do Serviço Municipal de Protecção Civil de Lisboa, falava hoje em Loulé à margem da conferência "A Protecção Civil e a Comunidade", que hoje decorre no Instituto Superior Afonso III.
O sistema de aviso e abrigo é utilizado em países fortemente atingidos por sismos, como o Japão, e torna-se particularmente útil em zonas onde não há tempo para avisar as populações. "Normalmente, morrem mais pessoas devido à onda gigante" do que ao sismo que a produz, afirmou Carlos Palhares, recordando o grande "tsunami" ocorrido na Indonésia em 2004 e que matou cerca de 300 mil pessoas.
Segundo o responsável, as ondas gigantes deslocam-se a uma velocidade média de cerca de mil quilómetros por hora. No caso do terramoto de 1755, que gerou um tsunami que devastou parte da costa algarvia e da cidade de Lisboa, a onda atingiu primeiro o Algarve e cerca de meia hora depois a capital portuguesa.
A região costeira algarvia é considerada a mais vulnerável em Portugal continental, uma vez que a maior parte dos sismos que afectam o País ocorrem a Sudoeste do Cabo de São Vicente, ao largo do Algarve.
Como tal, defende Carlos Palhares, as populações devem estar preparadas e saber adoptar os comportamentos necessários no caso de um "tsunami", mas para isso é preciso que estejam sensibilizadas para estas situações.
"Somos um país moderadamente sísmico e como não temos grande tradição de sismos, como o Japão, a maior parte das pessoas não estão sensibilizadas para esta matéria", observou. A aposta das autarquias deve ser na sensibilização dos habitantes para que adoptem comportamentos seguros e numa fase posterior a criação de abrigos sinalizados e a emissão de sinais sonoros em caso de tsunami.
"Se tiver um comportamento seguro e souber onde me devo colocar, é meio caminho andado para me conseguir salvar", concluiu, lembrando que se é impossível alertar a população para um sismo, mas que pode conseguir avisar-se da ocorrência de um "tsunami".
O Seminário "A Protecção Civil e a Comunidade", que hoje decorre no Instituto Superior Afonso III, em Loulé, incide em temas como o planeamento de segurança nas escolas, riscos tecnológicos e gestão de crises.


