Profissionais do Hospital de Santa Maria reclamam "reestruturação profunda"

14.03.2005 - 19:40 Por Lusa
Os profissionais do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, reclamaram hoje uma "reestruturação profunda", a nível de equipamentos, instalações e organização, desta unidade hospitalar, que consideram estar há dois anos em "situação limite".
O apelo foi feito durante a apresentação aos jornalistas da conferência "Hospital de Santa Maria - Que Presente, Que Futuro", que irá decorrer no dia 9 de Abril na Universidade Católica.
De acordo com João Correia da Cunha, membro da comissão executiva da iniciativa, a conferência, realizada no âmbito dos 50 anos da instituição hospitalar, deverá constituir "um alerta e um contributo de reflexão para o futuro".
"Existem constrangimentos preocupantes neste hospital, que tem vivido cronicamente em situação de subfinanciamento e desinvestimento", afirmou o especialista em cardiologia, chefe do serviço da especialidade em Santa Maria.
Apontou que esta unidade hospitalar "faz do simples ao complexo, trabalha na área da investigação, do ensino, da oncologia, da pediatria, da sida, e ainda recebe diariamente muitos doentes que outras unidades não querem ou não podem receber".
Cerca de 500 profissionais da unidade, entre médicos, enfermeiros e técnicos, apoiaram a realização da conferência como um "contributo para a sobrevivência" do Hospital de Santa Maria, disse ainda.
Outra preocupação dos trabalhadores diz respeito à construção do novo hospital de Loures, cuja área de influência, alertam, vai coincidir com a de Santa Maria.
"Não somos contra a construção de um novo hospital, mas terá um impacto que até agora nenhum responsável oficial avaliou", disse Correia da Cunha, estimando que com a entrada em funcionamento da nova unidade passará de 350 mil para 150 mil a população servida por Santa Maria.
A comissão executiva da conferência recordou que a administração da unidade hospitalar tem vindo a implementar medidas de optimização de funcionamento com uma meta de um ano, que consideram "positivas, mas insuficientes".
Correia da Cunha defendeu uma reestruturação da estrutura física do hospital, porque, diz, a actual "já não serve", diminuir o número de camas (actualmente são 1100) e aumentar o nível dos cuidados de saúde prestados, reduzir a área de influência, racionalizar e concentrar recursos.
Na conferência estão ainda previstas comunicações sobre a política do medicamento, meios complementares de diagnóstico e terapêutica, departamentação clínica, gestão e recursos humanos.

