Presidente da Junta de Freguesia de Canas de Senhorim constituído arguido

24.02.2005 - 18:12 Por Lusa
O líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS) e presidente da junta de freguesia local, Luís Pinheiro, foi hoje constituído arguido pelo Ministério Público, na sequência das manifestações do final do ano passado, tendo ficado sujeito ao termo de identidade e residência.
"Sou acusado de incentivo ao corte de estrada e ao corte de linha e de ter tirado a chave de uma ambulância", contou Luís Pinheiro à saída do Tribunal de Nelas, onde foi ouvido, acrescentando que apenas negou os factos, escusando-se a prestar mais declarações.
A pedido do Ministério Público, a GNR identificou pessoas que estiveram nas manifestaçõesde Novembro e Dezembro para tentar impedir a saída da Empresa Nacional de Urânio (ENU) de camiões carregados com aquele minério, com destino à Alemanha. Os manifestantes sentaram-se na estrada junto à ENU e cortaram a linha ferroviária da Beira Alta, em Canas de Senhorim.
Desde 10 de Fevereiro até hoje foram já ouvidos seis manifestantes de um conjunto de 30, alguns dos quais acusados de injúrias e agressões às autoridades. O processo deverá arrastar-se até ao final de Abril.
Luís Pinheiro explicou que os manifestantes estão a ser ouvidos com base "num relatório policial" das manifestações, mas considerou que "não houve qualquer crime". "É uma vergonha, é intimidar as pessoas. Voltamos ao tempo do fascismo. Estamos a fazer história da pior forma", lamentou.
Na sua opinião trata-se de uma tentativa de intimidar "as pessoas que se chegaram mais à frente" da luta, no que considera ser "uma perseguição política". "Todos temos o direito a manifestarmo-nos. As manifestações foram ordeiras e não devemos ser tratados desta forma", disse, indignado, o líder do MRCCS.
A 10 de Fevereiro, quando foi ouvido o primeiro manifestante, o advogado António Marinho defendeu que este é "um caso político", que, por isso, deve ser "resolvido politicamente pelos órgãos de soberania competentes" e não com a intervenção dos tribunais.
"Trazer estes assuntos para os tribunais é instrumentalizá-los ao serviço possivelmente de conveniências políticas que visam provavelmente intimidar as pessoas e dissuadi-las de prosseguir a luta por aquilo que acham justo e necessário para a sua terra", considerou na altura.

