O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Nelson de Carvalho (PS), foi constituído arguido, após a Polícia Judiciária (PJ) ter apreendido, no início de Outubro, um conjunto de documentos.
Na ocasião, Nelson de Carvalho disse à Lusa que a requisição dos documentos e processos administrativos surgiu na sequência de uma inspecção ordinária realizada ao município em 2003 pela Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT).
"Na altura recebemos alguns relatórios parcelares sobre a actividade desenvolvida na área financeira, recursos humanos, empreitadas e outros que apontavam para pequenas irregularidades", afirmou o autarca.
"Reparei que um dos relatórios não foi enviado para a Câmara e que, eventualmente, terá sido enviado directamente para o Ministério Público e resultado nesta investigação", acrescentou Nelson de Carvalho.
Autarca não adianta pormenores
O autarca, que disse à Lusa continuar a "dormir descansado", referiu agora, em reunião do executivo camarário, ter sido "ouvido em tribunal e constituído arguido" no âmbito do referido processo sobre a Câmara Municipal de Abrantes.
Contactado hoje pela Lusa, Nelson de Carvalho não explicou os motivos que originaram o processo, resguardando-se no "segredo de justiça".
Uma posição que o PSD, o maior partido da oposição, diz não aceitar. Segundo afirmou hoje à Lusa Gonçalo Oliveira, presidente da concelhia social-democrata, "a informação é escassa e não permite tirar grandes ilações".
"É imperioso que o presidente torne público o relatório da IGAT, informe os partidos da oposição e esclareça a população sobre o que está a suceder", defendeu ainda Gonçalo Oliveira.


