• Volta ilustrada à cidade
  • A cozinha coreana chegou de carrinha a Lisboa
  • Passeios de mão dada por um Portugal romântico

Projecto para refinaria na província de Badajoz

Portugal pede a Espanha para avaliar riscos de contaminação de solos e águas do Guadiana

19.05.2008 - 13:19 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
A Agência Portuguesa do Ambiente considerou escassa a informação sobre a gestão de resíduos do projecto A Agência Portuguesa do Ambiente considerou escassa a informação sobre a gestão de resíduos do projecto (António Carrapato (arquivo))
A Agência Portuguesa do Ambiente alertou Espanha para a necessidade de avaliar os riscos de contaminação dos solos e recursos hídricos do território português no projecto de construção de uma refinaria de petróleo em Badajoz.

No relatório de consulta pública do projecto espanhol, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) considerou ainda “escassa” a informação das autoridades espanholas sobre a gestão de resíduos do projecto. Segundo fonte oficial do Ministério do Ambiente português, o documento já foi enviado para Espanha.

“O Estudo de Impacte Ambiental não faz referência aos aspectos relacionados com eventuais impactos transfronteiriços, designadamente, o tipo de contaminação, grau e extensão da mesma, que poderá contaminar os solos e recursos hídricos do território português”, refere o relatório, a que a Lusa hoje teve acesso.

Em relação aos impactos gerados pelas emissões poluentes, a APA refere que devem ser considerados os aspectos da qualidade do ar no Alentejo Interior.

No item sobre emergências e riscos ambientais, a autoridade portuguesa diz ser necessário verificar se a actividade da refinaria se enquadra na Convenção sobre Efeitos Transfronteiriços de Acidentes Industriais, que tem como objectivo prevenir acidentes industriais que podem ter efeitos transfronteiriços.

Inag preocupado com impactes no abastecimento público

Uma vez que a localização prevista da refinaria se encontra a uma distância superior a 15 quilómetros da fronteira portuguesa (cerca de 100 quilómetros), a APA ressalva que cabe às autoridades espanholas analisar se a actividade da estrutura pode vir a causar um efeito transfronteiriço.

Contudo, a APA recomenda que seja avaliado o impacte na bacia do Guadiana de “eventuais cenários de acidente que envolvam substâncias perigosas para os organismos aquáticos”.

Também o Instituto da Água (Inag) fez a sua avaliação do projecto, chamando a atenção para a necessidade de avaliar e identificar os potenciais impactes no rio Guadiana, tendo em conta as necessidades de água previstas.

“Não pode, em situação alguma, ser colocado em causa o abastecimento público, quer directamente a partir da albufeira do Alqueva, quer indirectamente através da transferência para outros empreendimentos do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva”, considera o Inag.

Salienta ainda esta autoridade que o estado da massa de água para o troço internacional do Guadiana foi classificada por Portugal e Espanha como estando em risco de não atingir o estado ecológico em 2010.

Sócrates confiante

“Deverá ser desenvolvido um estudo tão detalhado quanto possível, cujas conclusões terão de ser técnica e cientificamente suportadas e comprovar inequivocamente que o projecto não interfere com os objectivos definidos para a região do Alqueva”, sintetiza o parecer do Inag.

Recomenda igualmente uma identificação dos riscos de acidente associados ao projecto nas albufeiras do Alqueva e do Pedrógão e troços a jusante até ao estuário do rio Guadiana.

Em Janeiro passado, o primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu aos jornalistas que o projecto de instalação da refinaria em Badajoz não vai afectar a qualidade nem os padrões ambientais do Alqueva, para onde estão previstos vários projectos turísticos.

“Posso garantir que nada do que se passará em Espanha afectará a qualidade do Alqueva e porá em causa os padrões ambientais, que são fundamentais para que o Alqueva tenha um futuro promissor”, afirmou na altura.

Também o Turismo de Portugal classifica como insuficiente o estudo feito do território português junto à fronteira, recomendado uma análise especialmente à área da barragem do Alqueva e bacia hidrográfica do Guadiana.

Tanto os pareceres do Instituto da Conservação da Natureza como da Direcção Regional de Economia do Alentejo não têm dados relevantes de possíveis impactes no território português.

Consórcio poderoso na região

Estatísticas

  • 50 leitores
  • 1 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1329239

Comentário + votado

e depois

Portugueses e Espanhois, estejão descansados, o importante é proteger a barragem, o resto podem ...

rosadefrança

19.05.2008 20:35

X

Mais em Local (3 de 6 artigos)

De acordo com o "Sol", Duarte Silva é acusado de participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder PS exige suspensão de mandato do presidente da Câmara da Figueira da Foz, arguido num processo