Porto: Concentração contra transformação do Teatro Sá da Bandeira em hotel low-cost

09.10.2009 - 08:14 Por Lusa
Um conjunto de personalidades ligadas ao meio artístico e cultural do Porto convocou para hoje uma concentração, pelas 18h00, frente ao Teatro Sá da Bandeira, na baixa portuense, em protesto contra a sua transformação em hotel.
“O Teatro Sá da Bandeira, fundado em 1855 e reestruturado em 1877 mantendo ainda os traços arquitectónicos dessa época, é uma das salas mais emblemáticas e históricas do Porto”, diz Ricardo Alves, director do Teatro Plástico, um dos promotores da concentração.
O director e encenador sublinha que tiveram lugar no Teatro Sá da Bandeira as primeiras apresentações de cinema em Portugal, tendo a sua sala acolhido “toda a história do teatro português”. “Actuaram no Sá da Bandeira desde Sarah Bernhardt a Amália, passando por Palmira Bastos, Vasco Santana, António Silva, Beatriz Costa, Laura Alves, Raul Solnado ou Eunice Munõz”, enumera Ricardo Alves.
Frisa ainda que ao longo da sua história esta sala foi “palco de grandes acontecimentos”, tendo ali tido lugar “todo o tipo de espectáculos, nomeadamente teatro, cinema, circo, musicais, ópera, opereta, revista e concertos de música clássica, pop, rock e fado, entre outros”.
A empresa detentora do imóvel colocou-o à venda por 5,5 milhões de euros, não sendo obrigado o futuro proprietário a manter a mesma actividade. Surgiram entretanto vários interessados, entre os quais uma empresa que pretende transformá-lo num hotel.
Ricardo Alves afirma que “já o Teatro Águia d’Ouro se encontra em processo de transformação em hotel”. “O poder político local tem demonstrado negligência e comportamento danoso no decorrer de todo este processo, revelando total desprezo pela cultura e pelo futuro de um dos espaços emblemáticos da cidade nada tendo feito para impedir o seu desaparecimento”, critica.
Para Ricardo Alves “é urgente assegurar a classificação do interior do edifício e intervir contra um (mais um) crime patrimonial que se encontra prestes a acontecer”. “A concentração visa manifestar o desagrado dos portuenses, já que o destino do Teatro Sá da Bandeira só pode ser um: a sua remodelação para que possa continuar como espaço cultural de referência da cidade”, conclui o encenador.

