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Actualização - Protesto contra a reestruturação das urgências

População do Alto Tâmega bloqueou trânsito na fronteira com Espanha

21.02.2007 - 15:34 Por Lusa

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A proposta da comissão técnica prevê a desclassificação das urgências do Hospital Distrital de Chaves e o fecho da urgência em Vila Pouca de Aguiar A proposta da comissão técnica prevê a desclassificação das urgências do Hospital Distrital de Chaves e o fecho da urgência em Vila Pouca de Aguiar (Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo))
A população dos seis concelhos do Alto Tâmega bloqueou hoje, durante duas horas, o trânsito na estrada que liga Chaves à fronteira com Espanha, em protesto contra a reestruturação das urgências prevista para a região.

A proposta da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências prevê a desclassificação das urgências do Hospital Distrital de Chaves, que actualmente apresentam características médico-cirúrgicas, para uma urgência básica e ainda o encerramento do serviço de urgência existente em Vila Pouca de Aguiar.

A manifestação, que reuniu milhares de pessoas dos concelhos de Chaves (PSD), Montalegre (PS), Boticas (PSD), Ribeira de Pena (PSD-CDS/PP), Valpaços (PSD) e Vila Pouca de Aguiar (PSD-CDS/PP), começou com duas marchas lentas a partir do centro de Chaves e de Vila Pouca de Aguiar até à fronteira de Vila Verde da Raia.

As marchas chegaram a formar filas de 18 quilómetros na Estrada Nacional 2, de 14 quilómetros na Auto-estrada 24 e de 15 quilómetros já em território espanhol.

Às centenas de automóveis juntaram-se 20 carros de bombeiros, com as sirenes ligadas, das nove corporações do Alto Tâmega, onde se podia ler, em cartazes, "Socorro! Ajudem o hospital".

Bandeira espanhola entre os manifestantes

O ponto alto do protesto aconteceu quando uma pessoa chegou ao local empunhando uma bandeira de Espanha, o que motivou uma enorme salva de palmas e gritos de muitos a pedir para serem anexados ao país vizinho.

A manifestação juntou representantes dos partidos políticos do Alto Tâmega, com o presidente da concelhia do PS de Chaves a afirmar que, se o ministro da Saúde, Correia de Campos, acatar as propostas da comissão, demitir-se-á do cargo.

Por sua vez, o governador civil de Vila Real, António Martinho, disse à Lusa que a proposta da comissão é "apenas um documento técnico" e que "ainda não há qualquer decisão política sobre o assunto".

António Martinho acrescentou que o ministro da Saúde vai ouvir todos os autarcas antes de tomar uma decisão e que, ao integrar o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Chaves garante a "manutenção da urgência tal como está", ou seja, com características médico-cirúrgicas.

Para o presidente da Câmara Municipal de Chaves, João Baptista, a proposta da comissão vem contrariar o que ficou estipulado nas negociações para a criação do centro hospitalar, pelo que as populações temem ver as urgências desclassificadas.

Em Vila Pouca de Aguiar está em causa o encerramento do Serviço de Atendimento de Situações Urgentes, que o autarca Domingos Dias diz estar previsto no documento técnico. "A proposta fala em encerramento da nossa urgência", afirmou Domingos Dias.

Pedido de audiência com ministro da Saúde ainda sem resposta

Os seis autarcas da Associação de Municípios do Alto Tâmega solicitaram uma audiência com o ministro Correia de Campos no passado dia 6, para a qual ainda não obtiveram resposta.

Os manifestantes alegam que o hospital de Chaves serve as populações dos concelhos vizinhos de Valpaços, Boticas e Montalegre, contemplando uma população de cerca de 80 mil pessoas.

As populações sublinham que algumas localidades de Chaves já ficam actualmente a mais de 45 minutos de distância da urgência e que a distância entre esta cidade e Vila Real é de mais de 70 quilómetros, mesmo com a abertura da auto-estrada prevista para Julho.

O presidente da Câmara Municipal de Chaves disse ainda que o documento técnico omite "inexplicavelmente" o item "pólo turístico relevante", que era considerado no primeiro relatório, referindo que as termas de Chaves, Vidago, Pedras Salgadas e Carvalhelhos constituem o "maior complexo turístico do país".

Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar refere que a área de influência do serviço de urgências do centro de saúde local se estende ao concelho vizinho de Ribeira de Pena, que não dispõe do serviço no período nocturno.

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Anónimo

22.02.2007 00:08

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