A freguesia de Gemieira, em Ponte de Lima, acordou hoje repleta de bandeiras negras, um símbolo do protesto contra o anunciado encerramento da escola básica local.
"Fui apanhado de surpresa com esta iniciativa, mas esta é, sem dúvida, mais uma prova de que a população está revoltada com o eventual fecho da escola", referiu o presidente da junta local, António Sá Matos. Segundo o autarca, há "mais de cem" bandeiras negras penduradas nos postes de electricidade ao longo do troço de cerca de quatro quilómetros da EN-203 que atravessa a Gemieira.
A população da freguesia reuniu-se no passado fim-de-semana para definir as formas de luta a adoptar contra o encerramento da escola. Um abaixo-assinado, que já conta com mais de 200 assinaturas, foi uma das medidas adoptadas, mas as formas de luta podem endurecer se o Ministério da Educação não desistir da sua intenção, afirmam os moradores. Na calha estão já iniciativas como o fecho da escola a cadeado e uma manifestação às portas da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN).
"É claramente um erro, além de uma enorme injustiça, fechar uma escola que está como nova e que dispõe de todas as condições, depois de nos últimos cinco ou seis anos ter sofrido obras avaliadas em cerca de cem mil euros", disse o presidente da Junta de Freguesia de Gemieira.
O autarca acrescentou que, neste caso, "não há qualquer razão que justifique" o encerramento da escola, até porque o estabelecimento é frequentado, este ano lectivo, por 23 alunos, um número que em 2006/2007 ascenderá a 30.
"A escola foi restaurada há dois anos, tem uma cantina nova a funcionar, está dotada de uma área coberta com cerca de cem metros quadrados para recreio, há um moderno sistema de aquecimento nas duas salas de aula, tem inglês e Internet, está situada junto das áreas mais habitadas da freguesia. Tem tudo para um ensino de qualidade", disse ainda António Matos.
Segundo um ofício da DREN, a ideia é fechar aquela escola a partir do final deste ano lectivo e transferir os alunos para o Centro Escolar da Ribeira, situado a cinco quilómetros de distância, o mesmo acontecendo, aliás, com as escolas das freguesias de Serdedelo e Boalhosa. Os objectivos são combater o insucesso escolar e fomentar o processo de socialização dos alunos.
No concelho de Ponte de Lima, e segundo dados avançados pelo director do Centro de Área Educativa de Viana do Castelo, Aristides de Sousa, está previsto o encerramento, no final do presente ano lectivo, de um total de 12 escolas do primeiro ciclo do ensino básico.
No total do distrito, são 82 as escolas que deverão fechar portas, sendo o concelho de Arcos de Valdevez o mais atingido, com 29, logo seguido de Ponte da Barca, com 15, e de Ponte de Lima, com 12. Actualmente, o distrito de Viana do Castelo conta com 257 escolas daquele grau de ensino, frequentadas por um total de 27.708 alunos.
Dessas escolas, 11 têm menos de cinco alunos, 53 menos de 10 e 101 menos de 20, pelo que, no total, são 165 as que "não cumprem os mínimos" fixados pelo Governo para se manterem abertas. No entanto, as previsões apontam apenas para o fecho de 82, já que, como explicou Aristides Sousa, "há um conjunto variadíssimo de factores", nomeadamente a existência ou não de alternativas aceitáveis, que contribuem para que o mínimo de 20 alunos não possa ser aplicado "de uma forma cega".


