Polémica do encerramento do centro de saúde de Camarate é uma guerra de vizinhos

02.06.2008 - 16:43 Por Lusa
A polémica em torno do encerramento do centro de saúde de Camarate – que deveria ter ocorrido hoje de manhã – não passa, para o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, António Branco, de uma “guerra entre vizinhos”.
Apesar do fecho das instalações estar marcado para hoje, o que levou a uma manifestação no passado dia 24 de Maio, a ARS explicou que ainda não havia condições para fazer a transferência para a Sacavém, como tinha indicado a Comissão de Bases de Saúde de Camarate. No entanto, o presidente da ARS garantiu que, ainda que se verifiquem atrasos no concurso do novo Centro de Saúde de Sacavém, a mudança acontecerá durante o mês de Julho.
O Centro de Saúde de Camarate tem cerca de 35 anos e situa-se em dois andares num edifício "sem elevador e acessos dignos" à população que ali se desloca. Dezenas de utentes esperam na escada que um dos dez médicos que ali trabalham os possa atender. Por entender que este edifício não apresenta as mínimas condições, Margarida Ruas, directora do Centro de Saúde de Camarate, e uma das médicas de serviço, defendeu que "a transferência dos cerca de 19 mil utentes para Sacavém deve ser visto como uma mudança para melhor".
"Durante anos a Junta de Freguesia não se preocupou com as condições das instalações e agora que vamos mudar para umas instalações melhores, vem fazer barulho", afirmou Margarida Ruas, que acusa o presidente, Arlindo Cardoso, de "desinformar a população". "A população está claramente a ser enganada, e a ficar apreensiva escusadamente", alertou Margarida Ruas, que afirmou que a extensão do Centro de Saúde de Sacavém, situado nos Terraços da Ponte (Quinta do Mocho), não fica assim tão longe como se quer fazer crer". A directora do Centro disse mesmo que a especulação quanto à data do encerramento daquela unidade de saúde fez aumentar a afluência de utentes, existindo dias em que "cada um dos dez médicos chega a atender cerca de quarenta".
Junta reivindica centro na terceira maior freguesia de Loures
O presidente da Junta de Freguesia de Camarate acusou Margarida Ruas de "estar a ser mentirosa e caluniosa, e de estar a pensar apenas nos interesses dela". "Contrariamente a essa senhora, cabe-me pensar nos interesses da população de Camarate. E a prova disso é que deste que estamos a cumprir mandato temos enviado uma série de ofícios sobre o Centro de Saúde à ARS e à ministra da Saúde, ofícios esses que nunca nos foram respondidos. "Somos a terceira maior freguesia do concelho de Loures, e como tal temos o direito de ter um Centro de Saúde", defendeu.
Apesar de admitir que a extensão do Centro de Saúde de Sacavém é relativamente perto de Camarate, Arlindo Cardoso alerta para o "elevado grau de perigosidade" que esta mudança acarreta, tanto a nível de segurança, como de mobilidade, uma vez que a população é maioritariamente idosa e tem dificuldades de locomoção.
O presidente da ARS, António Branco, mostra-se "surpreso com a polémica gerada em torno deste encerramento", e confessou que "foi a primeira vez que a ARS foi confrontada com protestos por tomar uma decisão favorável aos interesses de uma população". "Camarate não tem condições nenhumas e como tal achamos conveniente transferir os seus utentes para as instalações da nova extensão do Centro de Saúde de Sacavém, onde terão todas as condições de que necessitam, explicou.
A nova extensão de Sacavém, situada nas imediações dos Terraços da Ponte, está preparado para receber 40 mil utentes, sendo que 19 mil virão de Camarate.

