Pescadores do Rio Minho alertam para consequências sociais da eventual proibição da faina do meixão

13.02.2010 - 10:13 Por Lusa
Os pescadores do rio Minho alertaram hoje para as graves consequências sociais que poderão resultar para a classe se as autoridades proibirem a pesca do meixão naquele curso de água internacional.
“A pesca do meixão é o nosso ganha-pão. É vital, porque a gente vive disto. Não temos emprego, não há trabalho e a gente tem de se orientar para o rio”, disse o pescador Rogério Cacais.
“Se proibirem a pesca do meixão, temos de ir roubar. É o mais certo. É Inverno e emprego não há. A gente tem de viver disto”, acrescentou.
O meixão é a chamada “enguia bebé”, ou seja, a enguia em estado larvar.
Os pescadores cobram, actualmente, entre 300 a 350 euros por cada quilo de meixão, que depois, nos restaurantes, atinge valores superiores a mil euros.
Rogério Cacais já apanhou, esta época, 2700 quilos de meixão, o que significa que já facturou perto de mil euros. “Esta safra é o que nos vale para todo o ano”, confessou.
Os pescadores do rio Minho vão manifestar-se hoje, em Vila Nova de Cerveira, contra a eventual proibição da pesca do meixão naquele curso de água internacional.
Autoridades preocupados com a extinção da espécie
As autoridades admitem proibir a pesca para evitar a extinção da espécie, mas a decisão ainda terá de ser tomada na próxima reunião da Comissão Permanente Internacional do Rio Minho, que terá lugar em meados do ano.
“Há dados que apontam para uma diminuição de enguias no rio Minho, mas não estão fundamentados numa base sólida e consistente. Por isso, estão a ser feitos vários estudos para aferir da situação da espécie e da eventual ameaça de extinção. E será com base nesses estudos que será tomada a decisão”, explicou o comandante da Capitania de Caminha.
Mas os pescadores consideram que há “ameaças muito mais fortes” à sobrevivência da enguia do que a pesca do meixão com tela, uma rede muito apertada que não deixa escapar praticamente peixe nenhum.
“O rio Minho, por exemplo, está infestado de corvos marinhos, que, segundo os especialistas, comem quatro a sete quilos de peixe por dia, sendo uma grande percentagem de enguias”, alegou António Felgueiras, presidente da Associação de Pescadores para a Preservação do Rio Minho. Este dirigente aludiu ainda à “forte poluição” que chega ao rio Minho desde Espanha, através do rio Louro.
“Se fosse só a pesca a ameaçar o meixão, nós até estávamos de acordo com a proibição da pesca. Mas o problema vai muito para além da pesca com tela”, referiu.

