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Visitas a uma parte do parque já na próxima Primavera

Parque Oriental do Porto vai demorar dez anos até ficar todo pronto

09.11.2009 - 10:41 Por Aníbal Rodrigues

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O arquitecto paisagista Sidónio Pardal, autor do projecto do Parque Oriental do Porto, que está a ser construído pela câmara da cidade no vale de Campanhã, entre a fronteira com Gondomar e o Freixo, estima que este demore uma década a ficar pronto na sua totalidade.
O parque está a ser construído pela câmara no vale de Campanhã, entre a fronteira com Gondomar e o Freixo O parque está a ser construído pela câmara no vale de Campanhã, entre a fronteira com Gondomar e o Freixo (Paulo Pimenta)

"Se daqui a dez anos tivermos o parque concluído, será muito bom", afirmou ontem Sidónio Pardal, em declarações aos jornalistas, a propósito de uma visita às obras desta nova área verde, organizada pela associação ambientalista Campo Aberto e que contou com a participação de cerca de 60 pessoas.

"É uma obra para fazer com muita calma, é uma obra muito artesanal", explicou Sidónio Pardal, acrescentando: "Um parque é uma coisa viva, está sempre em transformação, em evolução. Eu diria que um parque nunca está pronto."

Sidónio Pardal é também o autor do Parque da Cidade, situado na zona ocidental do Porto. Este último mede cerca do dobro da área prevista para o Parque Oriental e demorou, segundo o arquitecto, 20 anos a ficar pronto.

Porém, e apesar de ainda ser necessária metade do tempo para concluir a totalidade do Parque Oriental, Sidónio Pardal recomenda uma visita, já na próxima Primavera, para apreciar dez dos aproximadamente 50 hectares que medirá a totalidade do novo parque. "Na próxima Primavera, já deverá ser muito aprazível vir aqui", disse. A visita valerá a pena também porque só então poderão ser apreciados alguns socalcos que foram construídos e que, depois da Primavera, ficarão cobertos por vegetação.

O grupo de visitantes apreciou ontem a chamada "modelação primária" da primeira fase da obra e que passou pela construção de muros em pedra que se prevê virem a desaparecer enquanto tal, sob a vegetação. Por exemplo, quem estiver dentro do parque e olhar para o Bairro do Lagarteiro não deverá ver os prédios, dentro de pouco tempo, por causa do crescimento das árvores que estão nesta altura a ser plantadas. Estas provêm do viveiro da Câmara do Porto e são, principalmente, carvalhos. Mas a variedade é muito maior, com, entre várias outras espécies, pinheiros, sobreiros, tílias ou camélias.

Aldeias serão remodeladas

A fase seguinte do projecto passa por trabalhar o rio Tinto, que Sidónio Pardal espera que venha a ser despoluído entretanto, através da construção de um colector na ETAR que fica a montante. Para já, o curso de água não se vê, por passar num fosso com cerca de três metros de altura. Mas o arquitecto quer desnivelar as terras, o que permitirá apreciar o fluir das águas. "Vamos alargar o leito do rio e este vai ficar com uma toalha de água exposta, o que vai embelezar extraordinariamente o vale", descreveu Sidónio Pardal.

Existem algumas construções neste território que deverão desaparecer, um processo que o arquitecto afirmou estar a ser negociado entre a Câmara do Porto e os proprietários "com muita calma". Há também algumas habitações a aproveitar, como uma que funcionará como abrigo e outra como gabinete do parque. Já quanto às várias aldeias rurais que se encontram na área do parque, Sidónio Pardal diz que "é um desafio interessante reconverter o uso dessas aldeias". "Vamos permitir uma ampliação das casas para poderem ter conforto, a construção de acessos e de garagens", completou.

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