As opções de localização e os modelos de financiamento do novo aeroporto de Lisboa, projectado para a Ota, estarão hoje em discussão num colóquio no Parlamento, no mesmo dia em que Cavaco Silva recebe um estudo com uma localização alternativa.
O chefe de Estado recebe o estudo das mãos do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco Van Zeller, que, conforme disse à Lusa, foi elaborado por 16 professores universitários e aponta para "três ou quatro localizações possíveis, cada uma delas com as suas vantagens e desvantagens, dentro de uma determinada área geográfica".
No início de Maio, a CIP avançara que estava a realizar um estudo que propunha como alternativa à localização proposta pelo Governo uma localidade "na margem esquerda do Tejo, não muito longe da Ota", e que "manterá os benefícios para a região Oeste".
De acordo com as declarações de Francisco Van Zeller nessa data, a nova localização permitirá "poupar dois a três milhões de euros, incluindo a poupança nas acessibilidades, nomeadamente, pontes e TGV, que não precisarão de ser construídos".
Colóquio de hoje é um "mero ponto de partida"
No colóquio de hoje, a necessidade de tomar em conta as novas localizações surgidas nos últimos tempos será defendida pelo presidente da comissão parlamentar de Obras Públicas, Miguel Relvas, para quem confinar o debate às opções Ota e Rio Frio será "viciá-lo".
O presidente da comissão — que organiza o colóquio de hoje na sala do Senado da AR — considera ainda que esta iniciativa terá de funcionar como "mero ponto de partida" para o debate em torno do aeroporto defendido pelo Presidente da República.
A posição que o Governo irá assumir no colóquio — em cuja sessão de abertura participa o ministro Mário Lino — não é ainda conhecida.
O colóquio "O Novo Aeroporto Internacional de Lisboa", que decorre entre as 09h00 e as 18h00, está organizado em três painéis, em que serão ouvidos técnicos e um representante de cada um dos grupos parlamentares.
No primeiro painel, intitulado "O novo aeroporto internacional de Lisboa: opções", serão oradores Paula Alves, José Lopes, José Manuel Palma e Paulino Pereira.
O especialista em transportes Paulino Pereira defendeu, em declarações à Lusa, a manutenção do aeroporto da Portela e a construção faseada do novo aeroporto de Lisboa no Poceirão, na margem sul do Tejo.
"Eu defendo a manutenção da Portela e a construção faseada do novo aeroporto na margem sul", afirmou, acrescentando que o Poceirão é "a solução mais adequada" para a construção da nova aerogare, que serviria apenas as companhias aéreas de baixo custo ("low cost").
"Um aeroporto na margem sul está próximo da linha de alta velocidade e da plataforma logística do Poceirão", arguiu Paulino Pereira, que considera que os problemas ambientais "são falsos problemas, que servem apenas para atirar areia para os olhos das pessoas".
No segundo painel, com início marcado para as 14h30, intervirão Augusto Mateus, coordenador do estudo sobre o ordenamento do futuro aeroporto da Ota, Diogo Pinto, Manuel Porto e Rego Mendes.
Em declarações à Lusa, o professor catedrático de Geologia Aplicada do Instituto Superior Técnico (IST), Diogo Pinto, afirmou que "a margem norte do Tejo não tem lugares com condições para a localização de um aeroporto".
Diogo Pinto defendeu que um aeroporto na Ota "não será eficiente", alegando que "muitas operações vão ser canceladas por motivos de segurança, pois o nevoeiro vai fazer com que as descolagens sejam abortadas".
Ambos os painéis serão seguidos de um período de debate, que terá a duração de 90 minutos.
No terceiro painel, que terá início às 17h30, serão ouvidos um representante de cada um dos grupos parlamentares.


