O padre da paróquia de Covas do Barroso, concelho de Boticas, detido este fim-de-semana por suspeita da posse ilegal e tráfico de armas, vai continuar à frente da paróquia, confirmou à Lusa o bispo de Vila Real, Joaquim Gonçalves.
Depois de celebrar a missa das 07h00, o sacerdote foi detido pelo Núcleo de Investigação Criminal de Chaves da GNR em plena sacristia, na sequência de uma investigação que decorria há meses, e que terminou com a detenção do padre, de 74 anos, e de três outras pessoas, com idades compreendidas entre os 50 e os 54 anos, todos pensionistas e reformados.
De acordo com o bispo de Vila Real, o sacerdote de Covas do Barroso vai manter-se à frente da sua paróquia e que, só “em caso de prisão prolongada” ou se este não conseguir “diluir a imagem negativa provocada” pela sua detenção junto das populações é que a diocese poderá transferi-lo ou até reformá-lo.
“A Igreja aplica o princípio da responsabilidade social. O sacerdote em causa terá que se entender com o seu povo”, saliento Joaquim Gonçalves, acrescentando que teve conhecimento da detenção do padre de Covas do Barroso apenas pelos órgãos de comunicação social e que, por isso mesmo, não possui informações sobre o caso.
No entanto, o bispo acredita que o “caso não tem nada a ver com actos de terrorismo ou de tráfico de armas”. “A ser verdade que ele tinha aquele armamento poderá tratar-se de um negócio atrevido de armas de caça para fornecimento de amigos. Mas não sei”, referiu.
O que o bispo sabe é que existe uma “certa tradição de caça entre o clero, principalmente nas zonas de montanha”. “Alguns dos nossos sacerdotes foram excelentes caçadores”, acrescentou, salientando, no entanto, que nenhum padre pode andar armado. “Os sacerdotes têm que se comportar de forma pacífica, não pode ser um guerrilheiro da fé”, sublinhou.
O pároco de Covas do Barroso é hoje ouvido no Tribunal de Boticas para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respectivas medidas de coação, bem como os restantes suspeitos.


