Quase todos os partidos da oposição madeirense consideram que a visita oficial do Presidente da República à Madeira não atingiu os objectivos e que Cavaco Silva se “submeteu” à vontade de Alberto João Jardim e do PSD-M.
O secretário-geral do PS-M, Jaime Leandro, disse à Lusa que a visita do Presidente da República “serviu para tornar mais visível a parte mais positiva da Madeira”, acrescentando que o chefe de Estado “não conseguiu demarcar-se da polémica, refugiando-se na Constituição e na sua função moderadora”.
“Sobre a qualidade da democracia não disse nada. Branqueou o que se passa na Madeira em matéria de direitos, liberdades e garantias e respeito institucional entre órgãos da região e da República”, opinou.
Jaime Leandro salientou que Cavaco Silva “não conseguiu demarcar-se, nem quis comprometer-se com nada. Assobiou para o lado como se os problemas não existissem e a situação da democracia na região fosse perfeitamente normal”.
Bloco fala em “favor”
Por seu turno, José Manuel Rodrigues, líder do CDS-PP-Madeira, considerou que “a visita poderia ter sido muito melhor do que foi se o Presidente da República tivesse incluído no seu programa uma sessão solene na Assembleia Legislativa da Madeira, se tivesse valorizado o debate sobre a qualidade da democracia na Madeira e se tivesse tido mais contactos com a Madeira real”.
Edgar Silva, do PCP-Madeira, frisou que a visita “foi manchada pelas declarações despropositadas de Alberto João Jardim sobre o parlamento e pela não realização da sessão solene”.
Já o dirigente do Bloco de Esquerda Roberto Almada defendeu que esta visita do Presidente da República “foi um favor a Alberto João Jardim, tendo Cavaco Silva cumprido o programa que o PSD e o Governo Regional quiseram”.
“O Presidente da República foi subserviente do PSD e do Governo Regional, que não queriam a sessão solene no parlamento madeirense”, criticou. Disse também que as afirmações de Cavaco Silva sobre os partidos políticos “não correspondem à verdade quando diz que a democracia está de boa saúde na Madeira”.


