“O desejo de Lisboa é que o Norte nunca venha a ter líder”, disse Luís Filipe Menezes

04.02.2012 - 16:03 Por Lusa
O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes afirmou hoje que “o desejo de Lisboa é que o Norte nunca venha a ter líder” e que “há quem trabalhe para conseguir na secretaria esse desiderato”.
As afirmações surgiram neste sábado quando o presidente da Câmara de Gaia foi questionado pelos jornalistas sobre as afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa na sexta-feira, que afirmou que o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, não tem conseguido ser o líder do Norte e, “se ele não consegue, então mais ninguém consegue”.
Há “essa lógica ‘pitonizesca’ de que o Norte está condenado a não ter líder” e há “quem trabalhe para conseguir na secretaria esse desiderato”, afirmou Luís Filipe Menezes, que considerou que o “Norte sempre teve grandes líderes no passado e que é impossível que uma região do país se levante sem lideranças fortes”.
“No novo ciclo político que vem aí, o Norte tem possivelmente a última oportunidade em duas ou três gerações de se tornar num grande centro alternativo a Lisboa, na segunda grande ponte urbana de entrada na Europa de quem olha do Atlântico e isso pressupõe entender o que é o Norte”, defendeu Luís Filipe Menezes.
Para o conselheiro de Estado “o Porto pode ser uma grande cidade europeia e pode ser um factor determinante para o desenvolvimento do país, mas precisa de liderança e o último grande líder que teve e fraquejou, por razões diversas, foi Fernando Gomes”.
Interrogado se poderia ser ele o próximo a ocupar a cadeira do poder no Porto, Menezes escusou-se a comentar, lembrando que se falava sobre a cidade era porque vivia “no Porto há 44 anos” e não conhece “a cidade pelo Google Earth”.
“Eu levantava-me às 6h00 quando havia aulas cedo, para descer a rua do Almada quando havia pessoas a trabalhar na rua do Almada às 6h00, quando o Piolho abria às 7h30 porque já havia pessoas a trabalhar, quando andar em Cedofeita, Santo Ildefonso e Bonfim significava andar no meio de pessoas fossem 6h00, 7h00 ou fosse o fim da tarde, quando o Bolhão era dos mercados mais radiosos da Europa”, recordou Menezes afirmando que “há 44 anos que vive essa realidade e portanto é normal que fale do Porto”.

