A Casa da Criança de Sernancelhe, que deveria acolher a partir de amanhã os 106 alunos da escola básica que foi demolida anteontem, não foi alvo da vistoria anunciada pelo Ministério da Educação. Os bombeiros dizem mesmo que "nunca esteve prevista uma vistoria".
Anteontem de manhã, a autarquia iniciou a demolição da escola básica, que tinha 30 anos, com o apoio da associação de pais mas sem a autorização da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). As aulas deveriam recomeçar após as férias do Carnaval no local alternativo indicado, a Casa da Criança de Sernancelhe.
No mesmo dia, o Ministério da Educação anunciou uma vistoria dos bombeiros às instalações, que deveria ter decorrido hoje de manhã, o que acabou por não acontecer.
Bombeiros afirmam que "nunca esteve prevista uma vistoria"
"Nunca esteve prevista uma vistoria. O governador civil informou-me foi da realização de uma visita, mas não ficou marcada hora nem dia", garantiu à Lusa o comandante distrital de bombeiros, César Fonseca.
Desde o início do ano lectivo que a autarquia tem defendido que a Casa da Criança é o local mais indicado para receber os alunos, tendo mesmo colocado à entrada um cartaz com a distribuição das salas pelos quatro anos de escolaridade e respectivos professores titulares.
O presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, José Mário Cardoso (PSD), confirmou aos jornalistas que não estava prevista qualquer vistoria às instalações e sublinhou que esta "também não é necessária", porque "foram construídas de acordo com um projecto submetido a exigências apertadas do Ministério da Educação e da Segurança Social".
Vistoria "foi inventada" pelo Ministério da Educação
"Este edifício foi feito única e exclusivamente com os dinheiros municipais. Se é por isso que precisa de vistoria, então estamos a ser penalizados", afirmou José Mário Cardoso, considerando que "a vistoria foi inventada à última hora" pelo Ministério da Educação para "lavar a face nesta história".
José Mário Cardoso criticou a atitude da DREN, que chegou a propor alterações às instalações como "fechar janelas, porque a luz entrava pelo lado esquerdo e devia entrar pelo direito".
O autarca lamentou que a directora regional nunca se tenha deslocado a Sernancelhe, considerando que, "ou é incompetente e está ao serviço fervoroso de outros interesses que não a educação", ou "está mal informada" e então deve "instaurar um processo disciplinar" aos seus colaboradores.
A DREN remeteu para o Ministério da Educação uma explicação sobre a situação, mas a tutela ainda não comentou o caso.
Pais vão levar os alunos para as novas instalações
O presidente da autarquia alertou que "a mudança das crianças de um lado para o outro não se faz num dia", mostrando-se convencido de que amanhã "vai ser impossível as crianças terem aulas".
João Aguiar, representante da associação de pais, garantiu à Lusa que as crianças vão deslocar-se amanhã de manhã para a Casa da Criança: "Elas têm que ter aulas e não há mais nenhum sítio para onde irem". As aulas iniciam-se às 09h00, mas os autocarros começam a chegar por volta das 08h30, acrescentou João Aguiar.


