No efémero "Largo Eng. José Sócrates" do Porto é agora "proibido afixar azulejos"

03.01.2012 - 15:42 Por Jorge Marmelo

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Autor não vê motivo para a câmara retirar este painel Autor não vê motivo para a câmara retirar este painel (Adriano Miranda)
Largo do Mompilher, no Porto, conta desde sábado com uma nova obra de "arte pública" do artista dos azulejos

O portuense Largo do Mompilher está transformado num curioso campo de batalha - com um toque de surrealismo e muita ironia. Depois da polémica placa toponímica, em azulejo, que rebaptizou o largo em homenagem a José Sócrates ("mentiroso, corrupto, incompetente, primeiro-ministro de Portugal 2003-2011"), e de a Câmara do Porto ter procedido, na semana passada, à remoção do painel, o artista urbano responsável pela brincadeira já contra-atacou e, no sábado, colocou outra obra no mesmo local: "Proibido afixar azulejos", lê-se no novo painel... de azulejos.

"Foi o meu presente de Ano Novo", disse ontem ao PÚBLICO o responsável pela brincadeira, que até já tinha a nova placa pronta para ser colocada noutro sítio, parodiando a interdição de colagem de cartazes em alguns lugares da cidade, excepto quando se trate de publicidade paga ou selvagem, como sucede com os cartazes que tomam conta das montras de lojas devolutas.

Em função da notoriedade alcançada pela obra no Largo de Mompilher, pareceu simplesmente ao artista que a instalação do painel no mesmo local de onde fora retirado o azulejo anterior lhe concedia um "duplo sentido", transformando-o também numa espécie de "memória do anterior".

"É curioso que se possa escrever tudo em graffiti, ninguém vai depois pintar por cima ou limpar. Neste caso, e dando razão à ideia de que o meio é a mensagem, criou-se toda esta polémica e retirou-se o azulejo", disse o artista ao PÚBLICO, acrescentando nem sequer ter percebido muito bem o impacte da crítica a José Sócrates.

"Podia ter sido outro político qualquer, ele era só o capitão do barco. O problema deve ter sido o azulejo, se tivesse escrito numa parede que alguém é mentiroso já não havia problema nenhum. Por outro lado, é engraçado que seja fácil ir destruir seis azulejos bem feitos, mas depois não se arranjem os edifícios que têm as fachadas a cair", comentou.

Estrangeiro e radicado no Porto há 27 anos, o artista diz adorar azulejos e define-se como um autor de arte pública, mais do que como um activista político. "Mas é normal que a arte pública procure uma reacção e, nesse sentido, é também política", diz, acrescentando esperar que o novo painel não seja também destruído pela autarquia. "Não têm razão nenhuma para retirar este", considera.

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criativo

super!

Joka

11.01.2012 18:19

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