Moradores que vivem sob a Ponte Luís I continuam sem solução para ruído do metro

06.02.2012 - 18:34 Por Aníbal Rodrigues

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Só entre as 1h30 e as 5h30 é que os moradores têm descanso Só entre as 1h30 e as 5h30 é que os moradores têm descanso  (Nelson Garrido)
Nas escadas do Codeçal, no Porto, o sobressalto repete-se: quando o metro passa, no tabuleiro superior da ponte Luís I, é como um estrondo que se abate sobre quem mora ou passa por lá.

Nem o facto de ser domingo - o que significa composições do metro mais pequenas e com frequências mais espaçadas - consegue disfarçar o incómodo que a passagem deste transporte pesado provoca, sobretudo às cerca de 30 famílias que ali vivem, em casas já de si com poucas condições, tanques de lavar roupa à porta, e paredes meias com imóveis devolutos.

O vereador da CDU na Câmara do Porto, Pedro Carvalho, esteve ontem nestas escadas onde a esmagadora maioria dos portuenses não passará há muitos anos. Vai levar o problema à reunião da Câmara do Porto desta terça-feira e propor um "acordo tripartido entre senhorios, câmara e Metro do Porto que possa salvaguardar o realojamento, em bairros sociais, para quem quiser ser realojado".

No entanto, e para evitar mais contributos para a desertificação da Sé, o vereador prefere "soluções técnicas" que minimizem "o ruído e a trepidação".

Na opinião de Pedro Carvalho, os moradores da zona - onde existe também um infantário que acolhe cerca de 90 crianças - estão sujeitos a um "ruído ensurdecedor". Por isso, exige conhecer os testes de acústica que a Metro do Porto efectuou no local.

O vereador recordou que a CDU já os pediu, mas estes nunca lhe foram facultados. Pedro Carvalho quer também que sejam resolvidos problemas de infiltração de água, que se verificam em algumas casas desde que o tabuleiro da ponte Luís I foi alargado.

Já na Rua da Senhora das Verdades, perpendicular às escadas, Pedro Carvalho pede uma solução para quatro casas desabitadas que ameaçam ruir e contêm material combustível no seu interior.

A visita da CDU reuniu mais de uma dezena de moradores, a maioria mulheres. "Uma vez a professora chamou-me e perguntou-me se o meu filho dormia de noite; as crianças aqui não dormem!", indignava-se Fernanda Pereira, lembrando que só entre a 1h30 e as 5h30 é que não sofrem o barulho das passagens constantes.

Já Maria Amélia Aleixo sempre viveu no Codeçal, mas fartou-se e, há três anos, mudou-se para a Rua de S. Luís. "Não aguentava o barulho e preferi sair daqui, apesar de, no outro lado, ser mais caro", descreveu. A seu lado, Graça Sousa foi a casa buscar uma espécie de cone como os que embelezam o fundo do tabuleiro superior da ponte. Garantiu que lhe caiu no quintal. É em ferro maciço e o seu peso rondará dez ou mais quilogramas.


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