Moradores e comerciantes da Costa da Caparica, em Almada, mostraram-se preocupados com aquilo que consideram ser um “clima de medo” devido “ao número crescente de assaltos” na zona e reclamam mais policiamento.
Exemplo disso é o que se passa com Maria Lopes, 60 anos, moradora na Costa da Caparica, que já viu a sua casa assaltada duas vezes, tendo sido roubados 2800 euros em material de desporto. “Não me sinto segura aqui. Estou a ponderar vender esta casa. Sinto que há pouco policiamento. Há novas histórias de assaltos a casas e a estabelecimentos comerciais a toda a hora”, afirmou.
Pedro Gonçalves é proprietário de um café junto ao bairro clandestino das Terras da Costa. Os prejuízos do assalto que sofreu durante o mês passado “vão ultrapassar os três mil euros”. “Sinto-me inseguro. Sei que é gente de perto. E não se trata de acções esporádicas. São sistemáticas e pensadas”, disse.
Umas ruas à frente, num pronto-a-vestir, a empregada afirma que “não pensa nos assaltos” mas explica depois que “nos últimos tempos a loja já foi assaltada duas vezes”. Do outro lado da rua, a funcionária de uma decoradora conta que “tentaram entrar naquele espaço mas acabaram apenas por conseguir fazer o assalto na perfumaria da mesma proprietária, num rua paralela a esta”.
“Assaltaram a perfumaria três vezes. Levaram encomendas acabadas de chegar”, contou. “Trabalho nesta loja há 16 anos, nunca vi tão pouca polícia e gente tão esquisita a passar por aqui. Há medo entre os comerciantes. Já assaltam lojas de dia, à mão armada”, acrescentou.
João Carreira, da Associação de Concessionários da Costa da Caparica, também reconhece que, “em termos de segurança, a situação está complicada”. “Temos proprietários que vão começar a dormir nos estabelecimentos. Mesmo com alarmes são assaltados”, contou o empresário, revelando que os comerciantes estão a ponderar “contratar serviços de segurança privados”.
O presidente da Junta , António Neves, subscreve as críticas e sustenta que “existe um défice de efectivos da GNR na Costa”. “Temos carências sociais graves: desemprego, miséria, toxicodependência. É daí que nasce a criminalidade”, terminou.
O Major Tavares Belo, responsável pelas Relações Públicas da GNR de Setúbal, rejeita as acusações e alega que “se deu uma diminuição substancial do número de situações de desacatos, assaltos e violência denunciadas à GNR”. “Preocupam-nos, de facto, em termos de manutenção da segurança, as situações de estrangeiros com permanência ilegal no país, o tráfico de droga, e o furto em residências”, acrescentou, sublinhando que a GNR “está a actuar nesses campos”.
“Falar de segurança é uma coisa, o sentimento de segurança é outra. E este é muitas vezes agravado pela proximidade dos factos”, concluiu.


