O ministro da Administração Interna disse ontem que a PSP deslocou domingo para as Olaias, em Lisboa, os meios necessários “para impor a ordem”, mas considerou que os problemas sociais exigem uma intervenção a vários níveis.
Ao final da tarde de domingo, foram ouvidos vários disparos no bairro Portugal Novo, e as autoridades vedaram o acesso à zona, tendo mobilizado cerca de uma centena de agentes. Os disparos terão tido origem numa disputa relativa à posse de uma habitação entre grupos de moradores.
Rui Pereira, que falava à margem de uma reunião da Confederação Europeia de Polícia, disse que se deslocou ao local e verificou que “a polícia estava a dominar a situação e tudo se mantinha calmo”, sublinhou, considerando ainda que o problema da segurança é também “multidisciplinar”, realçando que “há problemas sociais mais graves que têm que ser encarados” com uma “intervenção a vários níveis, destacando os contratos locais de segurança, já assinados com as câmaras do Porto e de Loures.
Detido em Carnaxide
Já ontem, PSP anunciou que deteve, pelas 23h30 de domingo, um homem de 26 anos suspeito de participar naquele tiroteio, na posse de uma arma carregada com munições. O suspeito foi interceptado em Carnaxide, por agentes da Investigação Criminal de Oeiras, e foi conduzido a tribunal para julgamento sumário, refere o comunicado da PSP.
Por sua vez, o presidente da Junta do Alto do Pina, Fernando Braamcamp, alertou ontem para o problema da gestão do Bairro Portugal Novo, já que, diz, a propriedade não está formalmente definida e as habitações sociais “não têm escritura feita”. Os fogos do bairro “têm contratos [de arrendamento] dos anos 80” que não estão a ser pagos, ocasião em que parte dos imóveis foi distribuída aos sócios pela Cooperativa de Habitação Portugal Novo, que promoveu a obra, explicou o autarca.
“Em meados dos anos 80, os gerentes da cooperativa abandonaram a organização em divergência com os sócios” e estes ocuparam as casas prontas, recordou. As restantes casas, que não haviam sido distribuídas, “foram sendo ocupadas, mas desde essa altura ninguém manda no bairro e as casas não são de ninguém”, já que “não há um levantamento de quem lá vive”, apesar de um pedido, sucessivamente reiterado, pela Junta do Alto do Pina junto da CML, disse Braancamp.


