Ministério do Ambiente “chumba” Retail Park previsto para zona de cheias

23.10.2008 - 14:54 Por Lusa
O Ministério do Ambiente emitiu uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável relativamente ao Pinhal Novo Retail Park porque, entre outras razões, estava previsto para uma zona de cheias.
Com base num parecer do Instituto da Água (Inag), a DIA emitida em Julho pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, salienta que 40 por cento da área do projecto “é inundável”. A área de intervenção, na bacia hidrográfica da Vala da Salgueirinha, tem capacidade de escoamento muito insuficiente. Por isso, o Inag aconselhou que o projecto devia ser revisto para que a área sujeita a risco de cheia constitua zona “non aedificandi”, ocupando apenas a área não inundável.
A Junta de Freguesia de Pinhal Novo reconhece o problema e defende a necessidade de regularizar aquela linha de água.
A Associação para a Elevação de Pinhal Novo alerta para o agravamento das inundações com a impermeabilização dos 61.563 metros quadrados que estão previstos.
Projecto arrisca-se a degradar serviço da EN252
Outra das razões apontadas é a degradação do serviço na Estrada Nacional (EN) 252 que liga Montijo, Palmela e Setúbal.
A Estradas de Portugal, responsável pela gestão da EN252, também considerou "não estarem reunidas as condições adequadas para a emissão de um parecer favorável à execução do projecto". Esta entidade considera que "o acréscimo de tráfego de veículos ligeiros é significativo" e que não pode "aceitar a degradação do nível de serviço" da EN252. Por isso pediu a reformulação do projecto no que respeita aos acessos pedonais e rodoviários.
A DIA refere ainda que o projecto é incompatível com o Plano Director Municipal (PDM) de Palmela, relativamente ao dimensionamento do estacionamento, identificando-se uma lacuna de 324 lugares para ligeiros e de nove lugares para pesados.
Promotores dizem que questões “estão a ser resolvidas”
O administrador-delegado do promotor holandês TCN/IBRD salientou que o projecto tem licença comercial e Pedido de Informação Prévia aprovados, bem como os termos de referência do estudo de impacte ambiental.
Quanto às questões identificadas, "estão a ser resolvidas com o Inag e a Estradas de Portugal".
Pedro Neves salienta que, no que diz respeito à zona inundável, a empresa optou por manter o lay-out do projecto, executando os trabalhos necessários na Vala da Salgueirinha para aumentar a capacidade de drenagem desta linha de água. "Vamos fazer nós esta obra, que é uma obra pública", frisou.
O mesmo responsável afirmou que está a ser desenvolvida uma solução para manter o nível de serviço na EN252, através da beneficiação das vias limítrofes. Os problemas de trânsito, adiantou, ficarão resolvidos com uma rotunda, a criação de uma nova estrada e a articulação da EN252 com uma outra já existente no Pinhal Novo.
A incompatibilidade com o PDM está a ser tratada com a Câmara de Palmela e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).
O projecto de execução está a ser elaborado e deve ser entregue no final do ano, com as soluções para os problemas identificados.

