O militar da GNR atingido hoje com um tiro de caçadeira em Sobral de Monte Agraço já saiu do bloco operatório, mas o prognóstico é reservado e as próximas 24 a 48 horas serão cruciais, disse uma fonte do Hospital São José, em Lisboa. O alegado autor dos disparos continua barricado em casa, na aldeia de Adega, há 12 horas.
Contactado pela Lusa, o director do serviço de urgências do Hospital São José, João Varandas Fernandes, explicou que se tratou de uma "operação complicada devido à complexidade das lesões" e que o militar é considerado "um doente grave".
As próximas horas são cruciais e o mesmo responsável clínico admitiu também que o militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) ainda corre risco de vida.
"Não podemos afastar ainda essa hipótese", disse João Varandas Fernandes, afirmando que durante as próximas horas será acompanhada atentamente a evolução do paciente.
Também segundo o médico, trata-se de uma "situação complexa" que mereceu toda a atenção por parte do serviço de oftalmologia e neurocirurgia devido ao traumatismo neurofacial "grave" que afectou a face esquerda.
O militar da GNR deu entrada no bloco operatório por volta das 16h15 e só saiu já perto das 20h00, encontrando-se neste momento nos cuidados intensivos da Unidade de Tratamento Intensivo Cirúrgico, depois de ter passado pelo recobro do bloco operatório.
Ainda de acordo com o director do serviço de urgências do Hospital de São José, o paciente deu entrada no hospital com feridas e fracturas múltiplas que lhe afectam todo o lado esquerdo da face e do crânio.
João Varandas Fernandes não quis especificar que tipo de lesões o militar pode vir a sofrer, preferindo aguardar pelas próximas horas para fazer um diagnóstico mais preciso.
Equipas de negociações vão manter-se no local
Segundo afirmou à Lusa o tenente-coronel da GNR Cardoso Pereira, "vão manter-se no local as equipas de negociações demore o tempo que demorar", mesmo não tendo surtido efeito as tentativas com uma filha e outros conhecidos do homem que se barricou.
De acordo com a mesma fonte, que está a acompanhar as operações, "não há razão para utilizar a força", pretendendo-se que o homem se entregue de livre vontade às autoridades.
No local encontravam-se esta noite equipas de negociações da GNR, elementos das Operações Especiais da GNR e Polícia Judiciária. Os acessos ao local mantêm-se vedados, com excepção para os moradores.
O barricado, um padeiro de 54 anos de idade, natural de Sobral de Monte Agraço, tem antecedentes criminais, tendo já cumprido uma pena por homicídio.
Às 12h00 de hoje seis elementos da GNR de Vila Franca de Xira deslocaram-se à residência munidos de um mandado de busca, após terem detido ontem o filho do homem agora barricado, para recolherem provas relacionadas com furtos de viaturas e assaltos a moradias.
Depois de terem abordado o proprietário da casa, este reagiu disparando um tiro à queima-roupa contra um militar da GNR, deixando-o gravemente ferido, após o que se barricou.


