Mercado do Bom Sucesso está aberto e à espera dos clientes habituais

01.06.2011 - 10:51 Por Patrícia Carvalho
O Mercado do Bom Sucesso abriu hoje as portas, para um dia mais ou menos normal de trabalho, depois de o encerramento anunciado pela Câmara do Porto ter sido suspenso com a entrada, no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAFP), de uma providência cautelar. “Há peixe, fruta e hortaliça. Estamos abertos, os clientes que venham”, dizia ao PÚBLICO, às 7h30 de hoje, um dos comerciantes do espaço.
Pelas 9h30, o lixo que sobrara do dia de ontem, quando praticamente todas as bancas haviam sido desmontadas, já começava a desaparecer. Zulmira Rocha e Emília Santos já tinham a fruta e o peixe exposto e, de mangueira na mão, limpavam o chão que tinham acabado de libertar dos restos de papelão e verduras. Enquanto o andar de cima se mantinha deserto de lojas, no piso térreo, já se vendia. E mais comerciantes chegavam, um pouco incrédulos, sem saber se haviam de voltar a levar para o mercado as balanças e os produtos que tinham tirado ontem. Mariana era uma delas. “Eu ontem ainda queria deixar a balança, o carrinho de transporte e tudo. Mas o guarda disse que tinha que sair tudo, porque não se responsabilizava pelo que ficasse. Agora nem sei, mas enquanto estiver aberto acho que venho”.
A notícia de que a Câmara do Porto e a Mercado Urbano, Gestão Imobiliária S.A. tinham sido citadas pelo TAFP da entrada de uma providência cautelar que suspendia o encerramento do Bom Sucesso chegou ao mercado pelas 18h00 de ontem, quando muitos comerciantes já tinham partido. Ontem, nem a autarquia nem a empresa concessionária do mercado confirmaram esta informação, com o vereador Sampaio Pimentel a enviar, apenas, uma resposta escrita na qual afirmava “a Câmara do Porto agiu, age e agirá no escrupuloso cumprimento da lei”.
Hoje, Maria Lima já não tinha lágrimas nos olhos, mas um sorriso aberto, junto à banca de maçãs, cerejas e pêssegos. “Vinha com um bocadinho de receio das ameaças da câmara, mas as portas estão abertas e eu vou lutar até ao fim pelos meus direitos. Hoje até já meti coisas frescas”, diz.
A Mercado Urbano, subsidiária da bracarense Eusébios & Filhos, S.A. venceu o concurso público para reabilitar o imóvel classificado. O projecto prevê a construção de dois edifícios no interior da estrutura – um hotel e um espaço de escritórios -, a transformação das lojas do piso superior em comércio de luxo e a criação de 44 bancas de produtos gourmet no piso térreo. A providência cautelar que deu entrada em tribunal, interposta por dez comerciantes do espaço, contesta o facto de a câmara não ter criado, como estava previsto, um mercado provisório para os vendedores que pretendiam regressar, após a reabilitação. Dos 120 comerciantes, há seis que não aceitaram as indemnizações propostas pela Eusébios. Estes também já adiantaram que pretendem contestar o processo em tribunal.

