Para responder ao crescente aumento do número de turistas, a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS) pôs em marcha um Plano de Verão, mas debate-se com a falta de médicos, pelo que vai recrutar médicos uruguaios.
"Temos que trabalhar com os recurso humanos disponíveis - não há médicos nem no privado, nem público", afirmou o seu presidente, Rui Lourenço, adiantando que, mesmo assim, foram criadas três dezenas de postos médicos, nas principais localidades, para dar um apoio directo aos veraneantes.
Para ultrapassar a lacuna, em termos clínicos, adiantou, "está em fase final um processo de recrutamento de médicos do Uruguai para o Algarve e Alentejo, prevendo-se o ingresso até final do ano".
A extensão do Centro de Saúde de Quarteira, inaugurada em Novembro de 2001, embora situada numa zona turística, tem à porta uma placa com a seguinte informação: "Não temos serviço de urgência". Para situações de "doença aguda, consulta ao turista", esta unidade funciona apenas das 20h00 às 24h00. Para consulta médica, os utentes não inscritos "devem dirigir-se ao Serviço de Urgência de Loulé". Mas ao fim-de-semana aquele serviço fica geralmente caótico, dada a afluência de doentes, oriundos da serra ou ao litoral.
O presidente da ARS reconhece que o Algarve e o Alentejo são "as duas regiões mais periféricas" no sector da saúde, salientando a "dificuldade no recrutamento de médicos e enfermeiros". Mas, por outro lado, salienta o "reforço da estrutura do INEM", o que, no seu entender, veio suprir algumas das lacunas existentes, e estabelecer uma "melhor articulação" entre a procura e a oferta dos serviços existentes.
Utentes queixam-se
Ontem, no Centro de Saúde de Quarteira, Rolando, utente daquela unidade, aguardava por um consulta desde as 10h. Passava das 15h e ainda se encontrava em quinto lugar para ser observado. "A médica foi simpática, porque eu não tinha consulta marcada." O que o levou a procurar assistência "foi uma dor forte no braço, seguida de inchaço". Cá fora, o genro de Gertrudes Martins, diabética e cardíaca, protestava: "Não sei para que pagamos impostos. Quando chegamos aqui, somos sempre mal servidos. Entrei numa lista, em que estive mais de dois meses à espera. Acabei por ter que pagar uma consulta particular".
As paredes do edifício estão pintadas de fresco. O calor, apesar do ar condicionado a funcionar, faz-se sentir no seu interior. Uma empregada abre uma porta lateral: "Tem de se abrir a porta para passar este mau cheiro". Logo a seguir, uma colega volta a fechar: "Assim, de porta aberta, vem o calor lá de fora". Esta Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), à semelhança de outras existentes na região, caracteriza-se por possuir grandes superfícies envidraçadas - seguindo um modelo de arquitectura dos países onde é raro ver-se o sol.
Também ontem, no Hospital de Faro, o conselho de administração deu uma conferência de imprensa para anunciar que apesar dos crónicos problemas físicos com que se debate aquela unidade de saúde, ela está operacional para responder à gripe A. "Não há milagres", afirmou a directora clínica, Helena Gomes, referindo-se às limitações físicas do edifício. A solução encontrada para responder a uma eventual pandemia foi criar nos anexos ao edifício central, um espaço que terá uma capacidade de alojamento até 20 camas. Esta unidade de saúde passou, desde quarta-feira, a integrar a rede de unidades de referência preparadas para receber os doentes atingidos pela doença. Neste momento, não existe nenhum doente infectado em Faro. Porém, o coordenador da equipa dos infecciologistas, Rui Pereira, não deixou de manifestar o "receio" em relação à doença, pelo facto de o Algarve ser uma "região específica", atendendo ao elevado numero de turistas britânicos, mas ao mesmo tempo sublinhou que a "equipa está preparada".
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