Médica russa condenada a 18 meses por homicídio por negligência nos Açores

07.05.2007 - 17:45 Por Lusa
O Tribunal da Ribeira Grande, nos Açores, condenou hoje uma médica de nacionalidade russa a 18 meses de prisão, com pena suspensa, por homicídio por negligência de uma jovem asmática, de 22 anos.
O caso remonta a Abril de 2004, altura em que a jovem morreu depois de ter sido atendida no Centro de Saúde da Ribeira Grande e de lhe ter sido administrado um medicamento "contra-indicado em doentes com asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica". A médica foi também condenada ao pagamento de uma indemnização de 125 mil euros.
O tribunal deu como provado que, desde os primeiros anos de vida, a jovem sofria de asma brônquica, sendo acompanhada por um especialista, mas foi ao Centro de Saúde da Ribeira Grande, na madrugada de 12 de Abril de 2004, queixando-se de sensação de aperto na zona do externo, ansiedade, tremor, palpitações e insónia.
Como tratamento, a médica Tatiana Labrentseva "prescreveu uma sessão de aerossóis, para que a paciente não sentisse falta de ar, e um comprimido de 40 mg de propanol (Inderal), para pôr fim à taquicardia".
Depois de a "alta" clínica ter sido concedida, a jovem voltou a sentir-se mal já na sua casa e decidiu regressar, com a mãe, à unidade de saúde da Ribeira Grande, acabando por falecer no caminho.
Segundo a juíza Ana Paula Costa, ficou provada "a má prática médica" com a prescrição de um medicamento contra-indicado para doentes asmáticos.
Os familiares da vítima, que assistiram à leitura da sentença, adiantaram que "foi feita Justiça", embora "nada possa devolver" a jovem. "Estavam sempre a dizer que ela tinha tomado medicamentos em casa, mas ficou provado que a medicação do Centro de Saúde é que foi mal aplicada", afirmou Paulo Pereira, tio da vítima.
O advogado da médica russa, Carvalho Matos, referiu que vai recorrer da sentença para o Tribunal da Relação, por entender haver aspectos que carecem de ser melhor explicados.
A médica russa, que prestava serviço no Centro de Saúde da Ribeira Grande, foi ainda arguida num processo envolvendo seis médicos, acusados de negligência no tratamento de um menino de dois anos que veio a perder a visão no olho esquerdo. Neste caso, os seis arguidos foram todos absolvidos por não ter sido provado uma relação directa entre a falta parcial de visão e a conduta médica.

