Os mariscadores e viveiristas da Ria Formosa e da Costa do Sotavento Algarvio retomam esta manhã a actividade, após uma semana de interdição da apanha e comercialização de bivalves devido à detecção de toxinas perigosas para a saúde.
As análises efectuadas ontem pelo Instituto das Pescas da Investigação e do Mar (IPIMAR) "revelaram índices de biotoxinas ASP abaixo dos limites, o nos permite dizer que os resultados são negativos", disse o director do IPIMAR Costa Monteiro.
"A autoridade marítima e as próprias associações de mariscadores e viveiristas foram notificadas durante a tarde de quarta-feira do levantamento da interdição, o que significa que o marisqueio poderá ser retomado à primeira baixa-mar", anunciou o responsável.
A interdição foi decretada a 15 de Abril pelo IPIMAR, quando detectou, pela primeira vez, em amostras de bivalves níveis anómalos de biotoxinas ASP, conhecida por poder causar danos neurológicos depois de um consumo prolongado.
A medida preventiva abrangeu todo o tipo de bivalves, entre amêijoa, mexilhão, berbigão, conquilha e ostra, em toda a zona interna da Ria Formosa e Litoral entre Faro e Vila Real de Santo António.
Foram afectadas entre 10 a 50 mil pessoas que, segundo um estudo da Direcção-Geral das Pescas, vivem da apanha e comercialização de bivalves nestas zonas.
Costa Monteiro explicou que "foram efectuadas várias análises a amostras de água e de espécies de bivalves indicadoras" e que "os resultados obtidos permitem que se retome, não só a apanha, como a comercialização e o consumo em segurança".
O surto de algas portadoras da biotoxina terá tido origem na Costa de Huelva, em Espanha, onde também o comércio e a apanha de bivalves estiveram proibidos desde 13 de Abril.
A Delegação de Agricultura e Pescas da Província de Huelva levantou ontem a interdição na foz do rio Piedras, sendo já cinco as zonas de produção abertas.
"Foi a confirmação de que se tratou de um surto externo e que felizmente teve uma duração curta", observou Costa Monteiro.
O Ministério da Agricultura e Pescas chegou a relembrar que "criou e tem em vigor medidas que asseguram apoio financeiro a pescadores, apanhadores e armadores", após oito dias de paragem na sua actividade. O levantamento da interdição deu-se ao sétimo dia.


