Várias ruas na zona do Chiado, em Lisboa, estiveram ontem cortadas devido a incidentes entre a polícia e pessoas que se manifestavam em frente à antiga sede da PIDE (polícia política do Estado Novo). Segundo a agência Lusa, que cita uma fonte da polícia, foram feitas "várias detenções".
A mesma fonte adiantou que os detidos serão presentes hoje de manhã a tribunal e que o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP emitirá um comunicado sobre os incidentes.
Segundo a informação das autoridades, a intervenção da polícia visou "salvaguardar a integridade física das pessoas".
O movimento cívico Não Apaguem a Memória promoveu ontem um desfile até à antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso, tendo um dos responsáveis negado o envolvimento de elementos do movimento nos incidentes com a polícia.
Estava marcada para a mesma hora, na Praça da Figueira, uma outra manifestação, "contra o fascismo e o capitalismo".
Em declarações à agência Lusa, António Melo, do movimento Não Apaguem a Memória, disse que o desfile visava "aproveitar o simbolismo da data para pôr na agenda política da Câmara de Lisboa e do Estado a utilização de uma parte da antiga sede da PIDE como espaço para recordar o que ali ocorria antes do 25 de Abril de 1974".
António Melo acrescentou que o movimento, o promotor imobiliário e a própria Câmara de Lisboa já acordaram que a antiga sede da PIDE terá uma área de cem metros quadrados para funcionar como espaço museológico para recordar que ali funcionou a sede da PIDE e o que isso representou.
O mesmo responsável frisou ainda que, apesar, de se terem deslocado à antiga sede da PIDE — onde Fernando Vicente recordou os presos políticos e Garcia Pereira os mortos a 25 de Abril de 1974, quando a PIDE disparou sobre populares — "não se registaram quaisquer incidentes com a polícia".


