No Serviço de Atendimento Permanente

Lourinhã: grávida dá à luz na ambulância depois de negada assistência médica

27.08.2007 - 17:08 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
No espaço de um ano, os bombeiros da Lourinhã efectuaram já três partos dentro das ambulâncias No espaço de um ano, os bombeiros da Lourinhã efectuaram já três partos dentro das ambulâncias (Adriano Miranda/PÚBLICO (arquivo))
Os bombeiros da Lourinhã deram ontem assistência a um parto a caminho da maternidade do hospital de Torres Vedras, depois de o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde da Lourinhã ter negada assistência médica à grávida.

"É a segunda vez que um bebé nasce na ambulância porque há recusa do médico em assistir a grávida no centro de saúde", denunciou o comandante dos Bombeiros Voluntários da Lourinhã, Carlos Pereira, que vai agora pedir explicações ao Ministério da Saúde, após concluir que não obtém respostas às questões colocadas pela direcção do centro de saúde.

Ontem à tarde, a ambulância tripulada pelos socorristas Venâncio Silva e Francisco Neto — ambos de 18 anos de idade e bombeiros de terceira categoria — foi chamada ao Centro de Saúde da Lourinhã para transportar uma grávida em trabalho de parto "muito avançado" até ao Hospital Distrital de Torres Vedras.

A mulher, residente em Alverca, estava no nono mês de gravidez e dirigiu-se ao SAP.

Reencaminhada sem ficha clínica

Chegados ao local, os dois bombeiros depararam-se com a grávida dentro de uma carrinha de transporte de passageiros já com contracções e "só com a enfermeira junto à viatura", relatou o socorrista Venâncio Silva, que assegura que a parturiente não chegou a entrar no SAP nem foi observada pelo médico de serviço, tendo sido reencaminhada sem ficha clínica.

No trajecto até Torres Vedras, o parto estava cada vez mais iminente e a criança acabou por nascer à entrada da cidade de Torres Vedras, junto ao jardim do Choupal. "Foi um parto normal", contou Venâncio Silva, que assistiu pela segunda vez ao nascimento de uma criança em plena ambulância.

Já com o cordão umbilical cortado, mãe e filha chegaram às 17h40 à maternidade do Centro Hospitalar de Torres Vedras, onde eram aguardadas por uma parteira.

Segundo fonte do hospital contactada pela Lusa, ambas estão bem de saúde e deverão receber alta amanhã de manhã.

Falta de assistência tem sido frequente

A falta de assistência a doentes e grávidas pelos médicos, durante o horário de funcionamento do SAP, tem sido frequente nos últimos meses, de acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários da Lourinhã, Carlos Pereira.

"Chegámos às 19h00 ao centro de saúde e os médicos não querem atender", disse, quando o horário de encerramento do SAP é às 22h00.

O responsável operacional teme que possam ocorrer situações que "corram menos bem", para as quais os bombeiros não estejam capacitados, em que "venham a apontar a culpa aos bombeiros".

O centro de saúde recusou-se a prestar esclarecimentos, remetendo para mais tarde uma resposta, quando a directora Natália Reis regressar de férias.

No último ano — quando se registaram alterações ao horário de funcionamento do SAP —, os bombeiros da Lourinhã já efectuaram três partos dentro das ambulâncias no caminho até ao Hospital de Torres Vedras.

Estatísticas

  • 9 leitores
  • 43 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1303344

Comentário + votado

Números e factos

Caro Tiago,os números não passam disso mesmo e podemos fazer imenso com eles. A eststistica é muito ...

Alexandra

03.09.2007 01:44

X

Mais em Local (11 de 14 artigos)

Incêndio corta circulação de comboios na linha da Beira Baixa