Incêndio no número 23 da Avenida da Liberdade

Lisboa: vizinhos do edifício que ardeu esta noite admitem processar proprietários e câmara

07.07.2008 - 16:48 Por Lusa

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Apesar de não ter ainda contactado todos os vizinhos, o morador acredita que será possível uma acção conjunta contra a empresa proprietária e a autarquia de Lisboa Apesar de não ter ainda contactado todos os vizinhos, o morador acredita que será possível uma acção conjunta contra a empresa proprietária e a autarquia de Lisboa (Nacho Doce/Reuters)
Moradores do prédio ao lado do que ardeu hoje de madrugada na Avenida de Liberdade admitem processar os proprietários do edifício devoluto onde começou o incêndio e a câmara de Lisboa por nada terem feito para o evitar.

António Ramalho, morador no quinto andar direito do nº21 da Avenida da Liberdade, disse à agência Lusa que durante a noite e a manhã de hoje falou já com vários inquilinos do seu prédio e que pelo menos três concordaram em avançar para tribunal.

Apesar de não ter ainda contactado a totalidade dos vizinhos, acredita que será possível uma acção conjunta de todos contra a empresa proprietária e a autarquia de Lisboa.

"Vamos accionar a empresa proprietária do edifício porque foi no prédio deles e por incúria que isto aconteceu. Desde hoje o meu advogado vai começar a tratar das coisas não só relativamente à empresa, mas também à câmara municipal de Lisboa, já que é seu dever proteger os cidadãos e o património da cidade e mais uma vez não o fez. Alguém há-de ser responsabilizado", disse António Ramalho.

O morador, que se encontra alojado num hotel de Lisboa, desconhece ainda até que ponto a sua casa foi afectada, mas acredita que estará totalmente destruída pelo fogo e pela água.

Acrescentou que apenas ao final da tarde, quando acabarem as operações de rescaldo, será possível ter informação mais detalhada sobre as condições de segurança da estrutura do prédio.

António Ramalho aguarda agora uma resposta das autoridades relativamente à recuperação do edifício, uma vez que "nada fizeram" para evitar o incêndio. "Às quatro da tarde de domingo o meu vizinho foi à esquadra da Praça da Alegria dizer que as portas estavam abertas e os moradores tinham receio de que as casas fossem assaltadas, mas não aconteceu", disse.

Lembrou que há um mês tinha já havido uma "estranha tentativa de assalto", que António Ramalho acreditar ter servido para "fazer prospecção".

O morador está convencido que o incêndio foi intencional e teve como objectivo resolver a morosidade da câmara municipal. "Há duas formas de resolver os problemas da morosidade e da burocracia em Lisboa: os prédios devolutos ou caem ou são incendiados. Assim resolve-se a morosidade da câmara municipal. Isto é recorrente. Não é a primeira vez, nem há-de ser a última", acusou.

Considerou que o mais fácil e politicamente correcto quando há um incêndio, é dizer que foram os toxicodependentes. "A especulação imobiliária em Lisboa é assim. No prédio do lado aconteceu o mesmo há alguns anos. A fachada tinha que ser protegida, esteve ali anos a fio sem ninguém lhe ligar nenhuma até que um dia caiu", afirmou.

O edifício que ardeu, ficando apenas com a fachada, na zona dos Restauradores estava devoluto e pertencia a uma sociedade imobiliária espanhola.

O fogo eclodiu domingo à noite e foi dado como dominado às 3h03 de hoje. Os trabalhos de rescaldo devem prolongar-se até ao final do dia.

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