Lisboa: polícia confirma morte de um assaltante e ferimentos de outro

08.08.2008 - 01:26 Por Romana Borja-Santos
Um dos assaltantes que hoje manteve dois reféns dentro de uma dependência do Banco Espírito Santo (BES) em Lisboa, na rua Marquês de Fronteira, morreu na sequência dos disparos da polícia, informação que foi confirmada num comunicado oficial lido pela PSP no local do incidente. A sub-intendente do Comando Metropolitano, Florbela Carrilho, informou que o outro assaltante ficou gravemente ferido, estando neste momento no Hospital de São José. Os dois reféns foram libertados e “encontram-se bem de saúde”.
De acordo com o comunicado, o alerta foi dado às 15h04 e de imediato foram accionados diversos meios. Quando chegou ao local a polícia tomou conhecimento que os dois assaltantes tinham “manietadas com braçadeiras plásticas seis pessoas no interior” do banco.
Quase de imediato foram libertadas quatro delas – dois homens e duas mulheres – uma das quais uma senhora de 52 anos que sofreu uma crise de ansiedade mas que foi prontamente assistida. Os outros dois reféns, um homem e uma mulher, ficaram retidos pelos suspeitos que estavam na posse de armas de fogo.
De imediato a polícia criou um perímetro de segurança na área, que foi aumentado ao longo da tarde, e que contou com o Grupo de Operações Especiais (GOE), com o corpo de intervenção da Unidade Especial da Polícia, com uma equipa especial de negociadores e com a Polícia Judiciária.
Ao longo da tarde foram estabelecidos diversos contactos com os assaltantes. Porém, no comunicado lido aos jornalistas, sem direito a perguntas, a PSP não avançou causas para o incidente nem disse o que queriam os dois homens.
Ainda de acordo com a polícia, cerca das 23h00 os dois homens aproximaram-se das portas da dependência do BES “ameaçando os reféns com armas de fogo". Um deles surgiu agarrado a uma das reféns, a gerente do banco, ficando durante mais de 20 minutos a apontar-lhe uma arma ao pescoço. O outro refém, também agarrado por um dos assaltantes, esteve com uma arma apontada à nuca. "Após nova tentativa de negociação a Unidade Táctica do Grupo de Operações Especiais neutralizou os suspeitos”, refere ainda o comunicado.
Três disparos
Às 23h23, ouviram-se tiros disparados por "snipers" e, segundos depois, os dois reféns conseguiam fugir e a PSP entrou no interior da dependência, pondo fim a mais de oito horas de intervenção. A PSP garantiu, contudo, que ambos os reféns estão bem, tendo um deles sido levado para o mesmo hospital que o assaltante.
Segundo fonte hospitalar, o refém está bem e sofreu apenas algumas escoriações, tendo sido o próprio a pedir que os jornalistas fossem informados que estava estável. Já o assaltante, de acordo com a mesma fonte, está em estado considerado crítico e terá sido atingido na cara.
De acordo com a Lusa um dos assaltantes teria cerca de 25 anos e o outro 35.
Entretanto, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, felicitou já a polícia pela prontidão com que actuou e que permitiu o desfecho deste caso.
A Unidade Especial de Polícia foi criada apenas em Maio no âmbito da Lei Orgânica da PSP e inclui sob o mesmo comando, chefiado pelo intendente Augusto Magina da Silva, o Grupo de Operações Especiais (GOE), o Corpo de Intervenção (CI), o Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo (CIEXSS), o Corpo de Segurança Pessoal e o Grupo Operacional Cinotécnico (agentes com cães).
O local deverá permanecer vedado para que a polícia possa continuar a averiguar o caso.
Em 2007, houve 108 assaltos a bancos, menos do que no ano anterior, em que se registaram 139 casos, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna. Embora existam alguns casos conhecidos de assaltos a bancos com reféns, em Portugal, as negociações entre polícias e sequestradores têm sido levadas a bom termo.
(Actualizada às 02h11)


