A oposição na Câmara Municipal de Lisboa recebeu com agrado o abandono do projecto do terminal de cruzeiros para Santa Apolónia, proposto pela Administração do Porto de Lisboa (APL), mas lamenta que a questão nunca tenha sido formalmente apresentada e discutida pela vereação.
O social-democrata Fernando Negrão reagiu com surpresa ao anúncio de António Costa - que esta tarde garantiu que o projecto "está morto e enterrado" - embora considere ser uma boa notícia o fim da iniciativa, que previa a construção de um muro de seis metros de altura e 600 de comprimento frente ao rio Tejo.
Fernando Negrão sublinhou que o presidente da câmara Municipal não tem competência para anunciar decisões que competem à Secretaria de Estado dos Transportes e à APL, sublinhando que "só o Governo é que pode matar este projecto".
O independente Carmona Rodrigues disse hoje que só conhece o projecto "pelo que saiu nos jornais", afirmando que a APL se resguardou na lei que estipula que as obras portuárias não têm que ser licenciadas pelas autarquias".
A vereadora dos Cidadãos por Lisboa Helena Roseta criticou o facto de o projecto não ter passado pelos vereadores da Câmara da capital, afirmando que discutir os projectos "à porta fechada" é "o caminho contrário" ao que defendeu ao longo da campanha para as eleições intercalares.
Por seu lado, o vereador da CDU Ruben de Carvalho congratulou-se pelo fim do projecto, que classificou de "pesadelo", apesar de frisar que os comunistas não são "a priori" contra a construção de um terminal de cruzeiros em Lisboa. Para o vereador existe um "problema mais vasto" que diz respeito ao relacionamento entre a autarquia a APL, que "gere a seu bel-prazer" a frente ribeirinha da cidade.


