Lisboa: Carmona Rodrigues defende continuidade do IPO na Praça de Espanha

11.06.2007 - 10:21 Por Lusa
Carmona Rodrigues reconheceu hoje que Lisboa poderá perder o Instituto Português de Oncologia (IPO) porque não tem nenhum terreno disponível, defendendo a permanência daquela unidade de saúde nas actuais instalações.
Em declarações ao Rádio Clube Português, Carmona Rodrigues disse que quando foi contactado pelo ministro da Saúde — a propósito deste e de outros projectos, como o Hospital de Todos-os-Santos —, pediu aos serviços de planeamento da cidade que avaliassem a possibilidade de se arranjar terrenos com a capacidade necessária.
"Estamos a falar de terrenos com cerca de sete hectares. Como deve imaginar não é fácil arranjar num município como Lisboa sete hectares de terreno disponíveis para uma construção", disse.
Candidato defende continuidade do IPO no mesmo local
O candidato independente à presidência da câmara de Lisboa nas eleições intercalares defende que "o IPO, tal como está, é o melhor local possível".
"Falta se calhar, perante a opinião pública, justificar muito bem por que é que o IPO eventualmente terá de sair dali", sublinhou.
O candidato adiantou que há muitos projectos de remodelação das instalações actuais que se fossem realizados permitiram que o IPO permanecesse no mesmo local.
"São obras que precisam de algum investimento, mas parecia-me que, se assim fosse, seria muito mais económico e muito mais desejável que o IPO se mantivesse onde está" em vez de ser transferido para Oeiras, acrescentou.
Posição contrária tem o presidente do Conselho de Administração do IPO, Ricardo da Luz, que defendeu, em declarações ao Rádio Clube Português, a construção de um novo edifício.
Ricardo da Luz justificou que nas actuais instalações os edifícios mais antigos têm cerca de 80 anos, outros cerca de 60, e foram construídos numa época em que a actividade oncológica era uma actividade muito asilar e cirúrgica.
"Hoje a oncologia é algo de completamente diferente em que a grande maioria não é uma actividade asilar, nem de internamento. É uma actividade ambulatória e estas instalações não estão vocacionadas para esse tipo de trabalho", sublinhou.
Segundo Ricardo da Luz, as actuais instalações "não encontram resposta possível" para medidas que têm de ser implementadas em qualquer hospital.
Oeiras e Cartaxo disponibilizam terrenos
No passado dia 7, o presidente da câmara de Oeiras, Isaltino Morais, anunciou ter recebido uma resposta favorável do Governo quanto ao projecto das novas instalações do IPO em Barcarena.
No dia seguinte, o presidente da câmara do Cartaxo, no distrito de Santarém, disponibilizou um terreno de 12 hectares, junto à auto-estrada A1 (Lisboa-Porto). Paulo Caldas (PS) destacou a vantagem destes terrenos relativamente a Oeiras, afirmando que o lote está disponível imediatamente.
O terreno em causa insere-se nos 15 hectares destinados à instalação de um parque de ciência e tecnologia de uma área de 130 hectares cujo plano de pormenor se encontra em análise na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, disse.
Em Setembro do ano passado, o ministro da Saúde, Correia de Campos, disse que o Governo estava a procurar um terreno em Lisboa ou fora da cidade para transferir o IPO e justificou a mudança com as limitações físicas do actual edifício, junto à Praça de Espanha.
Em nota divulgada no final da semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que não existe ainda qualquer decisão final sobre a localização futura do IPO.

