O concelho de Leiria vai dispor até ao final do Verão de uma casa de emergência para vítimas de violência doméstica, revelou hoje a presidente da associação "Mulher Século XXI", que está a desenvolver o projecto.
Maria Isabel Gonçalves, que é também coordenadora do Centro de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica, sediado em Leiria e de âmbito distrital, explicou que "existe uma grande dificuldade em dar alojamento a vítimas de violência que, de um momento para o outro, têm de ter uma resposta". "No distrito existe apenas uma casa abrigo e, muitas vezes, não há vaga", indicou a coordenadora, explicando que a solução passa por recorrer a outros locais do país.
Segundo Maria Isabel Gonçalves, o que se pretende é que o espaço seja "um abrigo de emergência, para que, num período curto de tempo, se consiga resolver a situação da vítima". "É o tempo para desenvolver o nosso trabalho e colocar a vítima numa situação muito menos provisória", declarou ainda.
O espaço, um apartamento de tipologia T3, foi adquirido recentemente pela Câmara de Leiria no decurso de uma hasta pública efectuada pelas Finanças, disse à Lusa a vereadora com o pelouro da Acção Social do município. Neusa Magalhães acrescentou que o apartamento custou cerca de 50 mil euros e vai ser entretanto disponibilizado pela autarquia à associação "Mulher Século XXI", organização não governamental, no âmbito de um protocolo para a criação da casa de emergência para vítimas de violência.
O Centro de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica do distrito de Leiria abriu portas em Fevereiro de 2007, tendo recebido, desde essa data, 488 pessoas, 102 das quais no primeiro semestre deste ano. Ainda relativamente ao primeiro semestre de 2009, nove vítimas acabaram por ser reencaminhadas para instituições de abrigo, sendo que 16 crianças acompanharam as progenitoras. Segundo os mesmos dados, a maioria das vítimas que recorreu ao centro é do sexo feminino (453), tendo sido igualmente atendidos 33 homens. O centro recebeu ainda 14 homens na qualidade de agressores e duas mulheres igualmente nestas circunstâncias.
O espaço disponibiliza apoio psicológico, social e jurídico, estando em permanência duas psicólogas, além da coordenadora.
Uma assistente social, da Segurança Social, dá igualmente apoio sempre que solicitada.
Maria Isabel Gonçalves adiantou que as vítimas que recorrem ao centro são reencaminhadas pela PSP, GNR, Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e Segurança Social.


