Os dois jovens que escaparam da cela do tribunal de Santarém no passado dia 12 de Janeiro confessaram hoje os crimes de que foram acusados pelo Ministério Público, declarando-se arrependidos.
Os jovens, de 18 e 24 anos, começaram hoje a ser julgados pelos crimes de roubo, furto e furto qualificado, detenção de arma proibida (uma moca de madeira) e evasão, sendo o mais novo acusado ainda de condução sem habilitação legal.
Ambos disseram ao tribunal que se encontravam sem trabalho e que os actos que cometeram resultaram de “um momento de inconsciência”.
Os arguidos furtaram uma viatura ligeira de mercadorias na madrugada do dia 11 de Janeiro, na qual se deslocaram nas horas seguintes, tendo, cerca das 07:30, roubado uma mala, por esticão, a uma jovem que caminhava junto ao centro histórico. Depois, seguiram para um café, no miradouro de S. Bento, onde furtaram a caixa registadora e uma máquina de tabaco.
Foram apanhados por agentes da PSP numa vinha próxima da Ribeira de Santarém, onde tentavam partir a máquina de tabaco, que tinha no seu interior 227 maços de várias marcas (no valor de 845,54 euros) e 264,65 euros em moedas.
Levados no dia seguinte ao tribunal de Santarém para primeiro interrogatório judicial, os dois detidos conseguiram evadir-se da cela de detenção, onde aguardavam ser chamados.
O mais novo disse hoje que escaparam forçando a corrente do cadeado com a perna de uma cadeira que se encontrava dentro da cela.
Questionado sobre o que os levou a fugir do tribunal, referiu que estava “assustado” porque alegadamente teria sido espancado por agentes da PSP nos calabouços daquela força policial ao insistir em falar com um advogado.
Esta declaração do arguido levou o procurador do Ministério Público a declarar que iria pedir certidão, dado tratar-se de denúncia de um crime, para posterior averiguação.
O jovem disse ainda que conheceu o outro arguido naquela noite e que tinha acabado de chegar de Espanha, onde tinha trabalhado em regime de escravatura na zona de Sevilha, tendo conseguido fugir.
“Estava desesperado, cheio de fome, não sabia o que fazer, acabei por fazer asneira”, declarou.
O arguido de 18 anos foi capturado três dias depois da fuga do tribunal, enquanto o de 24 se entregou à polícia sete dias mais tarde.
O colectivo de juízes deu um prazo de cinco dias para a proprietária do veículo furtado apresentar o recibo da despesa que teve com a reparação dos danos (cerca de 1.300 euros) e marcou as alegações finais para 12 de Junho.


