O primeiro-ministro, o ministro das Obras Públicas e os autarcas do Seixal e de Almada vão juntar-se esta manhã, no Seixal, para a inauguração dos primeiros quatro quilómetros do Metro Sul do Tejo (MST), entre Corroios e a Cova da Piedade.
Mas se a importância do equipamento para a mobilidade na Margem Sul deverá ser reconhecida por todos nos discursos da cerimónia, o mesmo não deverá acontecer quanto à qualidade de uma obra que foi adjudicada por 320 milhões de euros mas que vai custar mais 72 milhões.
Maria Emília de Sousa, presidente da Câmara de Almada (CDU), vai lançar o desafio da necessidade de estender a infra-estrutura a todo o arco ribeirinho. “Vinte anos depois de termos colocado o assunto na ordem do dia, a inauguração deste primeiro troço é motivo de grande satisfação e estamos todos de parabéns, mas agora é o momento para termos novas ambições”, disse ao PÚBLICO Maria Emília de Sousa.
No seu concelho, a primeira fase da rede ficará concluída no próximo ano, com o prolongamento da linha até Cacilhas, mas a autarca quer levar o metro até à Costa de Caparica e até Almada Nascente e por isso garante que o próximo Plano Director Municipal de Almada “vai ter as questões associadas à extensão da infra-estrutura acauteladas”.
As “264 anomalias”
A lógica da “intermunicipalidade” deverá ser também realçada por Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal (CDU), que quer ver a segunda e terceira fases do projecto — que vão levar o metro até ao Barreiro e à Moita — concretizadas até 2032. “O metro ainda tem muito caminho a percorrer”, frisa Joaquim Santos, vereador das acessibilidades.
Inevitável será o tema das “264 anomalias” que a Câmara do Seixal detectou nos três quilómetros de linha construídos no concelho mas que, congratula-se Joaquim Santos, já estão a ser resolvidas pela concessionária. “Para já, está a ser feita uma operação de cosmética para dar mais dignidade à inauguração, mas há o compromisso de calendarizar e resolver os outros problemas mais complicados.”
Para além das questões relacionadas com a segurança, a autarquia quer ver resolvido o problema do estacionamento e da articulação com os outros modos de transporte. Viagem de 11 minutos
Foram estas, aliás, as razões que levaram ao lançamento de um abaixo-assinado, por iniciativa da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, que hoje vai ser entregue aos membros do Governo.
Em nota de imprensa, o Ministério das Obras Públicas salienta, porém, que a conclusão desta etapa cumpre o desafio da intermodalidade na Margem Sul, permitindo interfaces com a Fertagus, com os Transportes Sul do Tejo e com a Carris.
Para o Governo, o MST alcançou os seus objectivos com a “repartição modal mais favorável ao transporte colectivo nas deslocações entre a margem sul e a margem norte do rio Tejo”, permitindo ainda “ganhos de tempo e aumento do conforto dos passageiros, melhor integração urbana e de todo o sistema de transportes e redução dos níveis de poluição ambiental”.
O programa da cerimónia inclui a viagem inaugural de 11 minutos ao longo do primeiro troço, entre as estações de Corroios e Casa do Povo (concelho do Seixal) e Santo Amaro, Laranjeiro, António Gedeão, Parque da Paz e Cova da Piedade (concelho de Almada).


