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Um ano e cinco meses depois do previsto

José Sócrates inaugura hoje Metro Sul do Tejo

30.04.2007 - 09:03 Por Adelino Gomes, Cláudia Veloso

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A primeira fase da rede, até Cacilhas, deverá ficar concluída antes do final de 2008 A primeira fase da rede, até Cacilhas, deverá ficar concluída antes do final de 2008 (DR)
O primeiro-ministro, o ministro das Obras Públicas e os autarcas do Seixal e de Almada vão juntar-se esta manhã, no Seixal, para a inauguração dos primeiros quatro quilómetros do Metro Sul do Tejo (MST), entre Corroios e a Cova da Piedade.

Mas se a importância do equipamento para a mobilidade na Margem Sul deverá ser reconhecida por todos nos discursos da cerimónia, o mesmo não deverá acontecer quanto à qualidade de uma obra que foi adjudicada por 320 milhões de euros mas que vai custar mais 72 milhões.

Maria Emília de Sousa, presidente da Câmara de Almada (CDU), vai lançar o desafio da necessidade de estender a infra-estrutura a todo o arco ribeirinho. “Vinte anos depois de termos colocado o assunto na ordem do dia, a inauguração deste primeiro troço é motivo de grande satisfação e estamos todos de parabéns, mas agora é o momento para termos novas ambições”, disse ao PÚBLICO Maria Emília de Sousa.

No seu concelho, a primeira fase da rede ficará concluída no próximo ano, com o prolongamento da linha até Cacilhas, mas a autarca quer levar o metro até à Costa de Caparica e até Almada Nascente e por isso garante que o próximo Plano Director Municipal de Almada “vai ter as questões associadas à extensão da infra-estrutura acauteladas”.

As “264 anomalias”

A lógica da “intermunicipalidade” deverá ser também realçada por Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal (CDU), que quer ver a segunda e terceira fases do projecto — que vão levar o metro até ao Barreiro e à Moita — concretizadas até 2032. “O metro ainda tem muito caminho a percorrer”, frisa Joaquim Santos, vereador das acessibilidades.

Inevitável será o tema das “264 anomalias” que a Câmara do Seixal detectou nos três quilómetros de linha construídos no concelho mas que, congratula-se Joaquim Santos, já estão a ser resolvidas pela concessionária. “Para já, está a ser feita uma operação de cosmética para dar mais dignidade à inauguração, mas há o compromisso de calendarizar e resolver os outros problemas mais complicados.”

Para além das questões relacionadas com a segurança, a autarquia quer ver resolvido o problema do estacionamento e da articulação com os outros modos de transporte. Viagem de 11 minutos

Foram estas, aliás, as razões que levaram ao lançamento de um abaixo-assinado, por iniciativa da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, que hoje vai ser entregue aos membros do Governo.

Em nota de imprensa, o Ministério das Obras Públicas salienta, porém, que a conclusão desta etapa cumpre o desafio da intermodalidade na Margem Sul, permitindo interfaces com a Fertagus, com os Transportes Sul do Tejo e com a Carris.

Para o Governo, o MST alcançou os seus objectivos com a “repartição modal mais favorável ao transporte colectivo nas deslocações entre a margem sul e a margem norte do rio Tejo”, permitindo ainda “ganhos de tempo e aumento do conforto dos passageiros, melhor integração urbana e de todo o sistema de transportes e redução dos níveis de poluição ambiental”.

O programa da cerimónia inclui a viagem inaugural de 11 minutos ao longo do primeiro troço, entre as estações de Corroios e Casa do Povo (concelho do Seixal) e Santo Amaro, Laranjeiro, António Gedeão, Parque da Paz e Cova da Piedade (concelho de Almada).



Vinte anos de espera

Uma obra recheada de atrasos e polémicas
Pensado nos anos 80, o Metro Sul do Tejo passou ao papel em 1995, quando o Governo e as câmaras municipais da zona celebraram um protocolo para o seu desenvolvimento. O consórcio Metro Transportes do Sul viria a ganhar a concessão e a obra arrancou em Dezembro de 2002. A contestação surgiu de imediato, com reclamações do movimento de cidadãos MST/ Não Cortes Almada ao Meio, que chegou a apresentar uma queixa em Bruxelas, considerada mais tarde como pouco fundamentada. O maior impasse surgiu quando a Assembleia Municipal de Almada inviabilizou, em 2004, a cedência de terrenos, alegando atraso na entrega das plantas parcelares e falta de segurança e coordenação da concessionária. Impasse que levou o consórcio a ameaçar, no final de 2005, abandonar o projecto. Seria a Equipa de Missão a resolver o problema quando entregou as plantas reclamadas pela Câmara de Almada, em Junho de 2006. A obra prosseguiu, estando agora a decorrer no centro de Almada e em Cacilhas, onde a linha deverá chegar antes do final de 2008. Mantêm-se, ainda assim, os protestos dos moradores do chamado Triângulo da Ramalha, que ficam “encurralados” entre as linhas do metro e que ameaçam levar o seu caso a tribunal.

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