• |
  • Iphone
  • |
  • Mobile
  • |
  • RSS
  • |
  • Twitter
  • |
  • Facebook
  • Siga-nos em:
  • As histórias por trás das capas
  • A bolha rebentou há dez anos
  • Joan Baez - Graças à vida e a soprar no vento

A partir de hoje

Jardins do Palácio de Queluz reabrem de cara lavada mas longe de estar recuperados

15.05.2009 - 09:54 Por José António Cerejo

"Como primeiro passo é melhor do que nada, mas está muito longe do que foi prometido." A apreciação pertence a Barbosa de Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Queluz (PS), mas traduz a opinião de muitos dos que ontem assistiram à reabertura oficial dos históricos jardins do Palácio Nacional de Queluz.
Os jardins voltam hoje a abrir as portas, passados dois anos do encerramento Os jardins voltam hoje a abrir as portas, passados dois anos do encerramento (Ana Banha)

Passados cerca de dois anos sobre o encerramento do espaço, devido à sua extrema degradação, o anúncio da cerimónia de reabertura, com a presença do ministro da Cultura, fazia pensar no impossível: em meia dúzia de meses, teria sido possível fazer renascer os jardins que, em Setembro, o PÚBLICO tinha descrito como "um matagal". Não foi isso que aconteceu, mas, como disse Barbosa de Oliveira, "é melhor que nada".

Uma parte, ainda que diminuta, dos 16 hectares dos jardins foi limpa, alguns lagos e algumas estátuas de pedra e chumbo foram recuperados. Algumas árvores e umas quantas flores foram plantadas, nas áreas mais nobres, e a água corre, embora timidamente e sem pressão nas poucas fontes a que voltou a chegar. A cascata grande foi pintada e regressou à vida, as sebes de buxo foram talhadas nos percursos principais e os plátanos, cujas raízes davam cabo dos azulejos do canal, foram arrancados.

Por fazer está, todavia, muito daquilo que tinha sido prometido. Logo à entrada, percebe-se o falhanço daquela que era a mãe de todas as obras do jardim: a recuperação dos sistemas hidráulicos e de rega concebidos por Manuel da Maia no séc. XVIII. Mesmo nos lagos e fontes dos jardins superiores, contíguos à fachada traseira do palácio, os jogos de água não jogam, não jorram, limitam-se a correr, ou apenas a escorrer. Isto para já não dizer que nas instalações da Escola Portuguesa de Arte Equestre, nos limites da propriedade e depois de um investimento de 750 mil euros, a água morre nas condutas, e os cavalos são lavados a partir da rede da Câmara de Sintra.

"Não me vou calar enquanto não for feita a recuperação dos Arcos Reais e dos sistemas hidráulicos desde a mina do Pendão até aqui", junta Barbosa de Oliveira, a pensar nas promessas que ouviu. E mais, a pensar no futuro: "O palácio e os jardins não podem ser abandonados só porque agora fizeram qualquer coisa".

Na verdade, grande parte dos caminhos está hoje barrada por redes de plástico verde, enquanto o "matagal", continua a reinar daí para lá. Passando o rio Jamor, e à excepção de um outro lago e respectivos conjuntos escultóricos, nada foi feito e os antigos e frondosos pomares de laranjeiras tornaram-se uma dor de alma morta de sede. Dolorosa é também a visão do celebrado canal dos azulejos, onde o Jamor se travestia em salão de festas aquáticas e coloridas nos verões reais de antigamente. Em vez da prometida recuperação, o que lá está é o que lá estava. Com a diferença de que no lugar dos azulejos caídos ou roubados foi posto reboco de cimento e, seguramente, foram feitos muitos e muito eruditos estudos sobre os mesmos.

Falta dizer que para os residentes em Queluz que ali estiveram ontem a reabertura dos jardins é uma óptima coisa. Volta a dar-lhes vida e torna as promessas sindicáveis pelo olhar de todos. Verdade seja também que a informação distribuída à imprensa pelo Ministério da Cultura diz que a recuperação do canal ainda "está em curso", embora não haja qualquer sinal dela. E os 18 lagos e fontes têm a sua reabilitação "iniciada", devendo prolongar-se por mais 15 meses.

a "A obra não está acabada. Esta fase de recuperação ainda está longe de estar acabada e vai demorar muitos anos." Pinto Ribeiro, ministro da Cultura, não quis enganar ninguém. Ainda não tinha visto a obra em causa, mas, na sua apresentação, já deixava um sinal de que sabia quão cheia de percalços - incluindo queixas de quadros superiores do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico ao Ministério Público - foi a recuperação dos jardins de Queluz, até passarem para a esfera do Instituto dos Museus e da Conservação no ano passado.

Nas palavras do ministro, a lembrar-se certamente das suas andanças cívicas, avultou uma sugestão aos responsáveis pelo palácio: "Sempre que plantem uma árvore nova, consigam uma lista de famílias que venham acompanhar não só a plantação, mas que tomem conta dela." E adiantou um apelo à população de Queluz: "Reapropriem-se do palácio, venham visitá-lo" e participem na sua transformação. Do ministro ouviram-

-se também grandes elogios à parceria com o World Monument Fund (WMF), organização mecenática ali representado pelo seu "amigo" Paulo Lowndes Marques e responsável pela recuperação de muito do que ainda falta recuperar nos jardins.

Presente na reabertura dos jardins - que aos domingos e feriados serão de entrada livre até às 14h00 - esteve também o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, parco em palavras. "Isto fez o seu caminho, mas ainda tem caminho para fazer. O que foi feito é relevante, mas este espaço exige contínua recuperação e permanente acolhimento de novos públicos". Por parte do autarquia, revelou, "vamos fazer aqui uma ópera no Festival de Sintra", durante o Verão.

Entusiasmada estava a nova directora do Palácio Nacional de Queluz, Isabel Cordeiro. Quanto tempo falta para os jardins estarem abertos na sua totalidade? "O essencial está feito. O resto vai ser rápido." Para isso, embora sem dar prazos, disse dispor de um engenheiro florestal, cinco jardineiros e uma empresa contratada para a manutenção.

  • 1112 leitores
  • 2 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1380809

Comentário + votado

Epopeia em Queluz

Em tempos idos o belo Palácio de Queluz funcionava em armonia com a vida da corte envolvida no ...

carlos tome amaro

27.09.2009 23:04

Login