Só metade das obras inauguradas foram feitas pelo Governo regional

Jardim gasta na campanha madeirense mais do que Cavaco nas presidenciais

30.04.2007 - 08:37 Por Tolentino de Nóbrega, PÚBLICO

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Alberto João Jardim na inauguração do Passeio Marítimo do Garajau Alberto João Jardim na inauguração do Passeio Marítimo do Garajau (Miguel Silva/PÚBLICO)
Alberto João Jardim está a gastar na campanha mais do que Cavaco Silva nas últimas presidenciais, apesar de contar com uma subvenção estatal inferior a um quinto do que recebeu o eleito Presidente da República.

Com um orçamento ligeiramente superior a três milhões de euros para as regionais antecipadas, quatro vezes mais do que despendeu nas de 2004, a campanha liderada por Jardim ultrapassa o custo da candidatura de Cavaco (3,19 milhões).

Chega-se a este montante se se incluírem, nas contas da campanha do PSD-M, os donativos indirectos, não contabilizados, que representam os festejos oferecidos pelos adjudicatários das obras públicas — um terço das empreitadas pertence à construtora de empresários sociais-democratas AFA — e pelos proprietários dos empreendimentos privados inaugurados pelo presidente madeirense e candidato do PSD durante o período eleitoral.

Ignorando a advertência do PR para que o Governo se limitasse à "prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos", Jardim considera que as inaugurações "não são um acto eleitoralista, mas de gestão, que servem para mostrar o que foi feito", embora só 12 das 23 inaugurações feitas durante a campanha respeitem a obras do Governo.

"Com milhões, faço inaugurações; com inaugurações, ganho eleições" é a máxima de Jardim. Por isso, a oposição contesta, criticando quer a oneração de custos de algumas obras resultantes da conclusão antecipada pelo calendário eleitoral (numa, faleceu anteontem um operário atropelado por um cilindro de asfaltagem), quer a inauguração de obras privadas, lojas comerciais, hotéis em funcionamento e prédios não concluídos ou licenciados.

PS com Fafá de Belém

À parte os dividendos políticos das inaugurações, de onde Jardim parte em viatura oficial para a campanha partidária, o PSD, com uma média de 70 mil votos num universo de 231 mil eleitores, espera receber de financiamento público 380 mil euros. Ou seja, pouco mais de metade dos 730 mil euros atribuídos pelo Estado à campanha madeirense, para distribuir pelos sete partidos concorrentes em função dos votos obtidos.

Ao ser eleito com 2,7 milhões de votos, estando inscritos cerca de nove milhões, a candidatura de Cavaco Silva obteve uma subvenção estatal de 1,7 milhões de euros, correspondente a 44,6 por cento do financiamento público para a eleição do mais alto representante da Nação.

Analisados os orçamentos e balanços entregues à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, no Tribunal Constitucional, vê-se que o "subsídio do PSD-Madeira" para esta campanha (2,6 milhões) é superior ao total de contribuições recebidas pela candidatura Cavaco Silva (2,2 milhões) cujo maior gasto, metade deste valor, foi em publicidade.

A maior despesa da campanha social-democrata madeirense é com realização de comícios, espectáculos e caravanas (1,4 milhões).

Tony Carreira, Marco Paulo e Roberto Leal são alguns dos artistas que partilham o palco com Jardim, única imagem presente nos cartazes espalhados por toda a região e o único interveniente nos comícios e tempos de antena, com eficaz mensagem "contra Lisboa", o ancestral "inimigo externo".

Dos outros partidos, só o PS, com 1,27 milhões de euros, consegue aproximar-se da gigantesca máquina "laranja" que supera na qualidade dos tempos de antena e grafismo da campanha. Prevendo uma subvenção pública de 250 mil euros e a contribuição de um milhão do partido, também aposta forte na intervenção musical: conta com Quim Barreiros, Anjos e Fafá de Belém.

Estatísticas

  • 72 leitores
  • 41 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1292528

Comentário + votado

é absolutamente lamentável o que se passa com est...

é absolutamente lamentável o que se passa com este senhor Alberto. Hoje vi na TV uma passagem do ...

Anónimo

30.04.2007 23:55

X

Mais em Local (2 de 7 artigos)

A primeira fase da rede, até Cacilhas, deverá ficar concluída antes do final de 2008 José Sócrates inaugura hoje Metro Sul do Tejo