Prejuízos no edifico mas património intacto

Infiltração de água no Museu Nacional de Soares dos Reis

04.02.2009 - 10:25 Por Lusa

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Danos na cobertura do edifício originaram uma infiltração na parede norte Danos na cobertura do edifício originaram uma infiltração na parede norte (Fernando Veludo (arquivo))
O mau tempo dos últimos dias provocou prejuízos no edifício do Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), mas não causou qualquer dano ao seu património artístico, disse hoje à Lusa a directora da instituição.

Maria João Vasconcelos referiu que as chuvas e o vento forte provocaram, durante o fim-de-semana, danos na cobertura do edifício, originando uma infiltração de água na parede norte. A infiltração provocou uma pequena inundação na sala dedicada à obra do pintor Marques de Oliveira.

“Tivemos que retirar três quadros, mas repusemos dois posteriormente numa área afastada da infiltração”, precisou Maria João Vasconcelos.

Os quadros em causa não foram afectados porque não estão directamente montados na parede, mas sim suspensos de uma estrutura separada da mesma.

A directora do MNSR acrescentou que já foi efectuada uma reparação provisória na zona da cobertura afectada, mas frisou que só quando o tempo melhorar se poderá resolver o problema definitivamente.

Deterioração na ala norte do edifício

Noutras zonas da parede exterior da ala norte do edifício a Lusa pôde verificar a presença de humidade e a deterioração de algumas paredes, com a pintura a “descascar”, particularmente na pequena sala onde se encontra a escultura da Viscondessa de Almedina e também na sala dedicada ao pintor Henrique Pousão.

No entanto, a directora do MNSR assegurou que estes casos se devem a patologias do edifício já mais antigas, que não têm a ver com o mau tempo das últimas semanas.

O MNSR foi alvo de uma grande intervenção de conservação e restauro por ocasião da iniciativa “Porto – Capital Europeia da Cultura”, em 2001, após cerca de dez anos de quase encerramento.

À ampliação e renovação do edifício do Museu, segundo projecto dos arquitectos Fernando e José Bernardo Távora, corresponde a reinstalação da exposição permanente, o alargamento e reforço de áreas de actividades já tradicionais e a criação serviços anteriormente inexistentes.

Nos seus espaços, o MNSR expõe, no primeiro piso, pintura e escultura portuguesa dos séculos XIX e XX, com salas dedicadas especialmente a Silva Porto, a Soares dos Reis e a Henrique Pousão.

Nomes importantes do modernismo nacional

Do século XX, o MNSR expõe obras até ao final da década de 50 em que igualmente se identificam nomes importantes no desenrolar da história do modernismo português, como os dos escultores Francisco Franco, Diogo de Macedo e Canto da Maia e dos pintores Eduardo Viana, Dórdio Gomes e Júlio Resende.

Tem também patentes obras significativas de Amadeo Souza Cardoso, Júlio Pomar, Nadir Afonso e Fernando Lanhas, provenientes de empréstimos de outras instituições.

O segundo piso está dedicado às artes decorativas, nomeadamente ourivesaria, joalharia, mobiliário e especialmente uma parte da colecção de faiança portuguesa com algumas peças.

O Museu tem um auditório de 180 lugares, Sala de Leitura e Multimédia, cafetaria, loja com artigos especialmente produzidos a partir de peças do MNSR e de outros museus do IPM, e uma área dedicada a exposições temporárias, presentemente ocupada com uma exposição à produção da Fábrica de Louças de Miragaia.

Sempre que o tempo o permite, o Jardim das Camélias, com espécies desenvolvidas em Portugal desta árvore de origem japonesa tão característica dos jardins do Porto, está aberto ao público.

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