Inaugurado em Novembro, o pavilhão do Bairro do Lagarteiro continua fechado

10.02.2012 - 14:48 Por Patrícia Carvalho
A inauguração teve direito a espectáculo e a visita guiada para os presidentes da Câmara do Porto, Rui Rio, e do IHRU [Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana], António Mendes Baptista, a 18 de Novembro de 2011. O espaço multidisciplinar ANIMAR, colado ao Bairro do Lagarteiro, parecia pronto e cheirava a novo, no dia em que supostamente se abria ao bairro e à cidade. Contudo, até hoje, continua fechado.
Há quem atribua a demora à falta de acordo sobre o valor exigido pela empresa municipal Porto Lazer a quem o quer utilizar. Mas a Iniciativa Bairros Críticos (IBC) garante que o espaço só ficou pronto, afinal, há cerca de quinze dias.
O espaço ANIMAR é um dos projectos nascidos do programa interministerial Bairros Críticos que, a Norte, está a intervir no Bairro do Lagarteiro (há projectos também no Vale da Amoreira, na Moita, e na Cova da Moura, Amadora). Representando um investimento de cerca de 1,25 milhões de euros, suportados por fundos europeus, o IHRU e a Câmara do Porto, o espaço com mais de dois mil metros quadrados tem uma área desportiva, capaz de receber futsal, voleibol, andebol e basquetebol, balneários, gabinete médico, uma sala multiuso e outras, onde projectos do Lagarteiro ou de fora do bairro poderão instalar-se. Só que a utilização do espaço ainda não é uma realidade.
Ao PÚBLICO, o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, o socialista Fernando Amaral, critica a demora na resolução do processo. "Isto foi construído um bocado pelo telhado. Devia ter-se feito, primeiro, o modelo de gestão e depois inaugurado o espaço, mas teve-se pressa e não foi acautelada o modelo de utilização", diz o autarca. Amaral defende que "este impasse que se vive não está a ser benéfico porque desmotiva as pessoas" e garante que a junta está "a envidar todos os esforços" para abrir o pavilhão.
Também a líder da associação de moradores do bairro, Fernanda Gomes, revela preocupação. "É muito triste o pavilhão ainda estar fechado e há uma desmotivação total no bairro. Os moradores não acham que aquilo seja nosso, vêem o pavilhão sempre fechado", diz. A representante dos moradores afirma que o espaço ainda não está a ser utilizado porque os preços pedidos pela Porto Lazer são "incomportáveis". "Como é que podíamos pagar 30 ou 50 euros por hora para usar o pavilhão?", questiona.
A gestão do ANIMAR foi entregue à Porto Lazer que, em conjunto com a Junta de Campanhã, a IBC e a Fundação Porto Social estará a tentar encontrar ainda o melhor modelo para o espaço. Segundo a coordenadora da IBC do Lagarteiro, Cláudia Costa, é nesta fase que se encontra o processo e não há mesmo "problema nenhum" relacionado com o ANIMAR.
Cláudia Costa explica ao PÚBLICO que, apesar de a inauguração do espaço multiusos se ter realizado em Novembro, o ANIMAR "não estava apto para começar a trabalhar" e "só há pouco tempo é que a obra está efectivamente pronta".
A responsável garante que a Porto Lazer só recebeu o ANIMAR "há cerca de 15 dias" e que a primeira proposta de preços a praticar apontada pela empresa municipal correspondia aos valores já em vigor nos outros espaços que gere. "Temos estado a ver como é que as instituições e população do bairro podem ter acesso ao espaço a custos relativamente baixos, de forma quase gratuita", garante.
Fernando Amaral refere que a Porto Lazer enviou uma proposta de preços "há cerca de um mês" e que já seguiu para a empresa municipal "há cerca de três semanas" uma contra-proposta. A solução poderá passar pelo assumir de algumas despesas pela Porto Social e também pela própria junta.
O PÚBLICO questionou a Câmara do Porto sobre este processo, nomeadamente sobre se havia alguma previsão para que este seja desbloqueado, mas não obteve resposta até à hora de fecho desta edição.

