Guilhermina Rego nega envolvimento no caso das facturas falsas em carta distribuida à vereação

09.02.2010 - 16:43 Por Lusa
A vereadora do Conhecimento e Coesão Social da Câmara do Porto, Guilhermina Rego, falou hoje ao executivo camarário sobre o caso das facturas falsas num negócio de sucatas, tendo negado o seu envolvimento no processo.
“A vereadora Guilhermina Rego foi a primeira a falar, para dar satisfações sobre as notícias vindas a público. Basicamente, limitou-se a distribuir cópia de uma carta que ela própria remeteu para o "Jornal de Notícias". Na carta, a vereadora refere que herdou a empresa, mas que não tinha responsabilidades e que tudo não passa de uma cabala”, descreveu o vereador da CDU, Rui Sá, em declarações aos jornalistas no final da sessão camarária.
De acordo com a manchete do "Jornal de Notícias" de dia 1 de Fevereiro, "um grupo de 17 indivíduos vai responder em tribunal por ter provocado um gigantesco prejuízo ao Estado, entre 1999 e 2003, mediante um esquema de facturas falsas em negócios de sucata", revelando que Guilhermina Rego está entre os arguidos.
Sobre o processo em curso, Rui Sá não quis fazer comentários, mas diz que aproveitou o pretexto para fazer “uma leitura política da atitude do presidente Rui Rio”.
“Rui Rio é muito lesto a por em causa a honorabilidade política dos adversários, como fez com Francisco Assis e com Elisa Ferreira, durante as campanhas eleitorais, mas, quando são os seus apaniguados que estão em causa, encara isto com toda a compreensão. Espero que pense nisto, para, no futuro, ter cuidado quando lança a primeira pedra”, observou Sá.
A manchete do "Jornal de Notícias" refere que a vereadora "era, a par de dois irmãos, administradora e accionista de duas das empresas investigadas" e sustenta que a autarca "é classificada pela acusação como uma das pessoas que montaram o plano para defraudar as Finanças, incluindo a utilização de empresas fantasma para facturas falsas".
De acordo com o matutino, ao todo, "o fisco terá desembolsado 4,8 milhões de euros que nunca deveria ter entregue, por se tratar, na maior parte delas, de falsas transacções".
Em comunicado emitido no dia 1, a Câmara do Porto admitiu que conhecia o processo, mas sustentou que não existe qualquer envolvimento de Guilhermina Rego nos factos que lhe deram origem.
A vereadora do Conhecimento e Coesão Social "explicou, em devido tempo, ao presidente da Câmara [Rui Rio] os contornos do mesmo [processo], tendo ficado claro que não existe, da sua parte, qualquer envolvimento nos factos que lhe deram origem", afirma a autarquia, em comunicado enviado à agência Lusa.
António Lobo Xavier, advogado de empresas ligadas ao processo, disse à Lusa que Guilhermina Rego está a ser, neste processo, uma "vítima de um engano judiciário", que "não aconteceria se a justiça comum tivesse esperado pelo epílogo do processo em sede do Tribunal Administrativo e Fiscal".

