Grupo dos Amigos de Olivença pede a Portas que exija “anulação” da “megaprodução hostil”

20.02.2012 - 19:07 Por Lusa, PÚBLICO
O Grupo dos Amigos de Olivença exortou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a solicitar a “anulação” da parte de Espanha da “megaprodução hostil” para comemorar a Guerra das Laranjas de 1801, prevista para aquela localidade.
“Queremos que, pelo menos, o ministro dos Negócios Estrangeiros exija, em termos frontais, a anulação dessa festa”, reivindicou o presidente do Grupo dos Amigos de Olivença (GAO), Fernando Castanhinha, em declarações citadas pela Lusa.
O mesmo responsável aludia assim a uma iniciativa, prevista para Junho, que está a ser preparada pelo Ayuntamiento de Olivença (gerido pelo PP espanhol) para assinalar a "Guerra das Laranjas". O objectivo é fazer a recriação teatral deste episódio histórico, ocorrido em 1801, quando Olivença foi anexada por Espanha.
Esta “megaprodução” já motivou mesmo uma pergunta assinada por seis deputados do PS, enviada, na sexta-feira, ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
Os deputados socialistas pediram ao Governo para tentar impedir a iniciativa, lembrando que o “assunto” de Olivença é “reconhecidamente delicado e tem-se revestido de cuidados especiais”, para “evitar ferir susceptibilidades históricas e nacionais”.
A pergunta está assinada pelos socialistas Maria de Belém Roseira, Alberto Martins, Paulo Pisco, Basílio Horta, Gabriela Canavilhas e Laurentino Dias.
Os deputados consideram que “seria avisado uma intervenção no sentido de impedir a realização da reconstituição da Guerra das Laranjas, para evitar melindres diplomáticos e nas populações de Olivença e nas de outros municípios vizinhos em Portugal”.
Contactado pela Lusa, o presidente do GAO saudou a iniciativa dos seis parlamentares do PS e defendeu que “esta megaprodução, que é hostil, deve ser anulada”, merecendo a intervenção diplomática de Paulo Portas.
“O ministro devia ter uma posição muito mais activa. O mínimo que pode fazer é pedir pública e objectivamente, não de uma maneira sub-reptícia, clandestina ou em jogos de bastidores, a anulação da megaprodução”, desafiou.
Para o GAO, que considera que, posteriormente, “a questão de Olivença deve ser posta em cima da mesa diplomática”, a recriação histórica “é uma provocação”.
“Vemos esta festa como uma tentativa de alienação da própria população de Olivença, porque a querem pôr a celebrar a sua derrota e a dos seus antepassados, e uma provocação à posição tradicional de Portugal, que não reconhece a ‘espanholidade’ de Olivença”, argumentou.
Sobre esta matéria, Berdardino Píriz Antón disse ao PÚBLICO que “o que se pretende fazer é uma obra de teatro da história de Olivença, na qual o processo de reconstituição da ‘Guerra das Laranjas’ será de dez segundos numa obra que dura duas horas”. " Não estamos de acordo de que a representação seja ofensiva para o povo de Portugal, porque se assim fosse eu me negaria."

